More

    CBF criará órgão para fiscalizar cumprimento de regras do fair play financeiro

    Anúncios

    Rio de Janeiro, 13/11/2025 — A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou que criará, até o início de 2026, um órgão independente para fiscalizar o cumprimento das regras do Fair Play Financeiro no país. Reunidos na sede da entidade, dirigentes de clubes, federações, especialistas do mercado e consultores definiram os últimos ajustes do sistema, cuja meta é garantir que cada equipe “gaste apenas o que arrecada”, segundo o presidente Samir Xaud.

    Por dentro do novo órgão: independência e atribuições

    Inspirado na estrutura da CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas), o futuro comitê terá profissionais experientes em contabilidade, direito esportivo e auditoria. Embora conectado administrativamente à CBF, o grupo operará de forma autônoma para:

    Anúncios
    • Auditar balancetes trimestrais e demonstrações financeiras anuais enviadas pelos clubes;
    • Averiguar dívidas fiscais, trabalhistas e cíveis;
    • Propor ou aplicar sanções graduais em caso de descumprimento das regras.

    Etapas de implantação: adaptação gradual até 2026

    O Fair Play será introduzido em fases, permitindo que as agremiações ajustem suas finanças:

    1. 2025: envio de sugestões pelos clubes até a próxima sexta-feira e detalhamento final no Summit CBF Academy (26/11).
    2. 1º semestre de 2026: homologação do regulamento interno e primeiro ciclo de monitoramento—sem penalidades, apenas alertas.
    3. 2º semestre de 2026: sanções leves (advertências e multas) passam a valer.
    4. 2027 em diante: punições esportivas (perda de pontos e rebaixamento) entram em vigor.

    Raio-X das sanções previstas

    As penalidades serão proporcionais à gravidade da infração:

    Infração Faixa de sanção
    Estouro do limite de déficit anual Multa de 5% da receita operacional
    Atraso salarial superior a 60 dias Veto a registro de jogadores até a quitação
    Ocultação ou fraude contábil Perda de 3 a 6 pontos
    Débito fiscal recorrente acima do teto Rebaixamento ao fim da temporada

    Por que agora? Débitos históricos e avanço das SAFs

    Segundo relatórios divulgados pela Sports Value, a dívida consolidada dos 20 clubes da Série A superou R$ 10,3 bilhões em 2024. A explosão de passivos, combinada à chegada das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), pressionou a CBF a criar mecanismos de controle semelhantes ao UEFA Financial Fair Play, em operação na Europa desde 2011.

    O que muda para os clubes na prática

    Para se adequar, as diretorias precisarão ajustar folhas salariais, reforçar a governança e profissionalizar departamentos financeiros. Investimentos em reforços, por exemplo, terão de respeitar o teto de déficit permitido—que, no texto preliminar, é de 5% da receita bruta na primeira temporada de vigência.

    Próximos passos: consulta pública e apresentação oficial

    Clubes ainda podem enviar ajustes ao texto até sexta-feira. A versão definitiva será revelada no Summit CBF Academy, dia 26 de novembro, evento que deve detalhar também a composição do comitê e o cronograma de auditorias.

    Impacto futuro: Se confirmado, o novo modelo tende a alterar o mercado de transferências já na janela de 2026, reduzindo negociações de alto custo e exigindo planejamento financeiro mais rigoroso. O desempenho esportivo, portanto, passará a depender não apenas da bola em campo, mas da solidez dos balanços—tema que deve ganhar força nas próximas temporadas.

    Com informações de NETVASCO

    Anúncios

    Artigos relacionados

    Anúncio spot_img

    Artigos recentes