LAS VEGAS (EUA) – O bicampeão mundial Fernando Alonso afirmou nesta quinta-feira (16) que o Grande Prêmio de Las Vegas precisa “pensar no esporte primeiro” antes de priorizar o espetáculo, em crítica direta à preparação da pista de rua norte-americana que retorna ao calendário da Fórmula 1 após 41 anos.
O que está por trás da insatisfação de Alonso?
Segundo o piloto da Aston Martin, o asfalto recém-instalado e a formatação do evento privilegiaram a festa e o marketing, deixando a competitividade em segundo plano. Alonso destacou que o cronograma noturno – largada marcada para as 22h locais (3h de Brasília) – e as baixas temperaturas previstas (entre 10 °C e 12 °C) podem dificultar o aquecimento dos pneus e comprometer a segurança.
Raio-X do circuito de Las Vegas
- Extensão: 6,201 km (o segundo traçado mais longo da temporada, atrás apenas de Spa-Francorchamps)
- Curvas: 17 (12 para a direita e 5 para a esquerda)
- Principal reta: 1,9 km pela famosa Las Vegas Strip
- Velocidade máxima estimada: 340 km/h
- Pneus indicados pela Pirelli: C3 (duro), C4 (médio) e C5 (macio) – a gama mais macia do catálogo
Por que a crítica importa para Aston Martin e para o campeonato
Alonso ocupa atualmente a quinta posição no Mundial de Pilotos com 198 pontos, 26 a menos que Carlos Sainz. Para a Aston Martin, o asfalto de baixa abrasividade e as longas retas indicariam uma oportunidade de voltar ao pódio, algo que não ocorre desde Zandvoort. Entretanto, a dificuldade de gerar temperatura nos pneus pode expor uma fragilidade já vista em pistas frias como Suzuka.
Efeito dominó no grid
As equipes que dependem de alta carga aerodinâmica – caso da Ferrari e da própria Aston Martin – precisarão equilibrar pressão de asa com velocidade de reta para não se tornarem alvo fácil de ultrapassagens na Strip. Já Red Bull e McLaren, com maior eficiência aerodinâmica, tendem a sofrer menos, mas admitem preocupação com possível graining prematuro em pneus dianteiros.
Impacto para 2024: lições que a F1 pode aprender
A Liberty Media investiu cerca de US$ 500 milhões em infraestrutura para o GP, tornando-o peça central do calendário até 2032. Se a pista não entregar boas corridas, crescem as chances de ajustes técnicos já para 2024, seja no composto de pneus, seja na textura do asfalto. As declarações de Alonso colocam pressão adicional sobre FIA e organizadores para garantir que o show não comprometa a competitividade esportiva.
Imagem: Internet
Em síntese, as críticas de Fernando Alonso funcionam como um sinal de alerta em meio ao frenesi que cerca a estreia do GP de Las Vegas. Caso o equilíbrio entre espetáculo e esporte não seja encontrado, a corrida corre o risco de se tornar mais um evento midiático do que uma prova de alto nível – cenário que pode influenciar não apenas o resultado deste fim de semana, mas também o desenho técnico da temporada 2024.
Com informações de BandSports