Olímpia (Grécia), 25 de abril de 2024 – A tocha olímpica dos Jogos de Inverno Milão-Cortina 2026 foi acesa nesta quinta-feira no Templo de Hera, marco tradicional da Antiguidade. A chama deixa a Grécia no início de dezembro e desembarca na Itália em 4 de dezembro de 2024, dando início a um revezamento de aproximadamente 12 mil quilômetros pelas 20 regiões italianas até a cerimônia de abertura, marcada para 6 de fevereiro de 2026.
Por que a chama é acesa dois anos antes?
Desde 1936, o Comitê Olímpico Internacional (COI) mantém o ritual de acender a tocha em Olímpia para simbolizar a ligação entre as origens dos Jogos e a edição contemporânea. Para eventos de inverno, o intervalo de quase dois anos permite:
- Engajar o público local em etapas preliminares, test-events e ações de sustentabilidade.
- Alinhar o cronograma logístico em um país que terá dois polos de competição – Milão, na Lombardia, e Cortina d’Ampezzo, no Vêneto.
- Promover o turismo alpino em baixa e média temporadas, ampliando o legado econômico.
Raio-X do revezamento
- Distância total: ~12.000 km (equivalente a quase 10 travessias Roma–Milão).
- Regiões visitadas: todas as 20 da Itália, da Sicília ao Trentino-Alto Ádige.
- Portadores previstos: cerca de 1.400 atletas, voluntários e personalidades.
- Duração: 14 meses oficiais de revezamento em território italiano.
- Chama dupla: Milão receberá a tocha principal; Cortina abrigará celebrações paralelas, reforçando o modelo multi-sede.
Comparativo histórico
A última vez que a Itália sediou Jogos de Inverno foi Turim 2006. Na ocasião, o revezamento percorreu 11 mil km e envolveu 10 mil condutores. O crescimento atual em distância e período reflete:
- A expansão territorial para incluir o sul do país – algo inédito para uma edição de inverno.
- O compromisso de Milão-Cortina com mobilidade verde: parte dos trechos será feita por veículos elétricos e ferroviários para reduzir emissões.
Impacto esperado para esporte e infraestrutura
O trajeto prolongado funciona como teste operacional de arenas e serviços públicos. Estádios de hóquei no gelo, pistas de bobsled e vilas de mídia receberão eventos-piloto ao longo de 2025, permitindo ajustes em:
- Segurança de grandes multidões: integração de forças locais e protocolo anti-Covid residual.
- Transporte intermodal: ligação ferroviária Milão-Cortina com redução prevista de 25% no tempo de viagem.
- Hospedagem sustentável: certificação LEED de novas estruturas em Livigno e Anterselva.
Próximos passos
Em 4 de dezembro a chama chegará a Roma para evento oficial com o presidente Sergio Mattarella e, na sequência, segue para a Sicília, primeira etapa do revezamento nacional. Até fevereiro de 2026, cada região realizará celebrações temáticas que servirão de vitrine cultural e plataforma de testes para voluntariado, bilhetagem digital e operação de mídia.
Imagem: Divulgação
O sucesso logístico deste percurso será determinante para a reputação de Milão-Cortina como modelo de Jogos sustentáveis e descentralizados. A partir de junho de 2025, o COI iniciará auditorias mensais que utilizarão dados de transporte, público e emissões coletados durante as passagens da tocha – métricas que poderão influenciar futuros processos de candidatura olímpica.
Com informações de BandSports