São Paulo, 30/05/2025 – Uma equipe de coreógrafas da Bulgária iniciou nesta semana, no Centro de Treinamento da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), um ciclo de trabalho voltado à criação e lapidação das novas séries do conjunto brasileiro de ginástica rítmica, visando as principais competições internacionais da temporada 2025 e o ciclo olímpico.
Por que a Bulgária foi escolhida?
A escola búlgara é referência mundial desde os anos 1980, reconhecida pela dificuldade corporal, originalidade musical e precisão coletiva. Só nos últimos dois ciclos, as búlgaras somaram:
- Ouro no conjunto em Tóquio-2020;
- Três títulos mundiais por aparelhos (2022 e 2023);
- Média de 34,250 pontos por série – a mais alta do quadriênio.
A CBG aposta que esse know-how pode acelerar a curva de evolução do conjunto, que foi 7º colocado no último Mundial, mas ainda carece de elementos artísticos que pontuem acima de 7,0 no componente de execução.
Como será o trabalho em solo brasileiro
As coreógrafas búlgaras permanecerão em regime de imersão de quatro semanas em Aracaju (SE), base da seleção, atuando em três frentes:
- Reescrita das séries – Ajuste de música, transições e sincronismo para maximizar bonificações.
- Treinamento de expressividade – Sessões específicas de interpretação para elevar a nota de artística.
- Capacitação técnica – Clínicas para as treinadoras brasileiras replicarem o método no longo prazo.
Raio-X – Desempenho recente da seleção brasileira
| Ano | Competição | Colocação | Pontuação média |
|---|---|---|---|
| 2022 | Mundial de Sófia | 8º | 30,850 |
| 2023 | Pan-Americano | Prata | 32,100 |
| 2024 | Copa do Mundo de Pesaro | 6º | 33,050 |
Os números mostram evolução constante, mas ainda abaixo dos 34,000 exigidos para brigar por pódio em Mundiais e Jogos Olímpicos.
Impacto projetado até Paris-2024 e Los Angeles-2028
Especialistas calculam que cada décimo extra de nota artística pode representar duas posições no ranking final de um Mundial. Se a parceria elevar em 0,6 a média brasileira – algo factível pelas referências búlgaras – o conjunto entra na zona real de briga por medalhas, tanto no Mundial de Valência/2025 quanto em Paris-2024 (classificação já garantida via Pan).
Imagem: Instagram
No longo prazo, a transferência de conhecimento tende a formar um corpo técnico nacional capaz de manter o padrão pós-Bulgária, fator considerado estratégico para Los Angeles-2028.
Resumo e próximos passos
A chegada das coreógrafas búlgaras adiciona conteúdo técnico e artístico de elite ao programa brasileiro. O primeiro teste das novas séries será a etapa da Copa do Mundo de Cluj-Napoca, em agosto. O desempenho lá servirá de termômetro para ajustes antes do Mundial de Valência. Se o ganho de nota se confirmar, o Brasil poderá estabelecer, pela primeira vez, metas de pódio em campeonatos globais, atraindo ainda mais investimentos e elevando o patamar da ginástica rítmica nacional.
Com informações de BandSports