São Paulo (SP), 27/11/2023 – A presidente Leila Pereira intensificou, nos últimos dias, a busca por aliados no Conselho Deliberativo do Palmeiras para viabilizar a inclusão em pauta de uma nova mudança estatutária que permitiria um terceiro mandato consecutivo, estendendo sua permanência no cargo até 2030.
Por que o tema volta à mesa agora?
A ideia de ampliar o limite de reeleições foi ventilada pela primeira vez em julho e ganhou novo fôlego nas vésperas da final da Conmebol Libertadores, quando dirigentes se reuniram na Academia de Futebol. A retomada ocorre em meio ao fim de temporada sem títulos, momento tradicionalmente usado para pautas internas – cenário que, historicamente, costuma reduzir a resistência política, já que o foco geral migra para contratações e planejamento de elenco.
Como funciona o processo para alterar o estatuto
Para que a proposta avance, a presidente precisa da assinatura de 20% dos 300 conselheiros, ou seja, aproximadamente 60 nomes. Com apoio declarado de parte da situação, Leila tenta atrair ex-presidentes hoje com menor representatividade, mas capazes de agregar votos de conselheiros independentes. Se o quórum for alcançado, o texto segue para votação em assembleia do próprio Conselho – onde são necessários 2/3 dos presentes para aprovação.
Raio-X dos mandatos no Palmeiras
- 2015-2016: Paulo Nobre – 2 mandatos de 2 anos (total de 4 anos)
- 2017-2021: Maurício Galiotte – 2 mandatos (5 anos, após transição de calendário eleitoral)
- 2022-2027: Leila Pereira – 2 mandatos de 3 anos (total previsto de 6 anos)
- Proposta atual: permitir 3º mandato consecutivo – total de 9 anos
Desde a reforma estatutária de 2018, o clube adotou mandatos de três anos com direito a uma reeleição. Leila é a primeira a usufruir do modelo ampliado.
Comparativo com outros grandes clubes
• Flamengo: mandatos de 3 anos, com possibilidade de 1 reeleição (máximo de 6 anos).
• Corinthians: mandatos de 3 anos, sem reeleição consecutiva desde 2017.
• São Paulo: mandatos de 3 anos, com 1 reeleição (6 anos).
• Internacional: mandatos de 2 anos, com 1 reeleição (4 anos).
Se a proposta alviverde for aprovada, o Palmeiras passaria a ter o maior ciclo presidencial contínuo entre as principais agremiações brasileiras.
Impacto político e esportivo
Do ponto de vista administrativo, uma gestão de nove anos tende a oferecer maior continuidade a projetos de modernização do clube e às ações de expansão internacional da marca, bandeiras defendidas pela presidente. Por outro lado, opositores alertam para o risco de concentração excessiva de poder e eventual desmobilização de mecanismos de fiscalização interna.
Imagem: Julia Mazarin
No campo esportivo, estabilidade financeira e clareza de planejamento podem manter o patamar competitivo conquistado na última década. Entretanto, decisões de médio prazo – como investimentos em infraestrutura, SAF ou ampliação do Allianz Parque – ficariam atreladas à mesma liderança até 2030.
O que esperar dos próximos capítulos
A coleta de assinaturas deve ocorrer ainda em dezembro. Caso alcance o número mínimo, a votação no Conselho pode ser marcada para o primeiro trimestre de 2024, coincidindo com as fases iniciais do Campeonato Paulista e da Copa Libertadores. Qualquer definição, portanto, tende a influenciar diretamente o ambiente político durante o planejamento da temporada 2024.
Conclusão: A tentativa de Leila Pereira de viabilizar um terceiro mandato abre debate sobre governança, longevidade presidencial e impacto esportivo no Palmeiras. A movimentação nos bastidores nas próximas semanas indicará se a mandatária conseguirá o apoio mínimo para levar a proposta ao plenário, etapa decisiva que poderá redefinir o cenário político do clube para a próxima década.
Com informações de Nosso Palestra