Rio de Janeiro (RJ) — Campeão da Supercopa, Carioca, Brasileiro e Libertadores em 2025, o Flamengo encerrou a temporada com o índice mais baixo de utilização de atletas formados no Ninho do Urubu desde 2019, segundo números divulgados pelo clube. Dos 35 jovens relacionados ao longo do ano, apenas 15 chegaram a vestir a camisa do time principal, e só quatro deles — Wesley, Evertton Araújo, Wallace Yan e Matheus Gonçalves — ultrapassaram a barreira de 10 partidas.
Temporada vitoriosa, mas com espaço restrito para a base
O contraste entre conquistas e oportunidades revela uma tendência: quanto maior a pressão por resultados imediatos, menor a margem de teste para garotos. Em 2025, o Flamengo não só superou a histórica temporada de 2019 em número de títulos como disputou uma média de 72 jogos oficiais. Ainda assim, o total de atletas da base utilizados caiu de 18 em 2024 para 15 em 2025.
“Pressão diferente”: o argumento de José Boto
Responsável pelo departamento de futebol rubro-negro, José Boto atribuiu a dificuldade ao ambiente externo. De acordo com o dirigente, “a pressão no Palmeiras é diferente do Flamengo”, referindo-se às redes sociais e aos ataques pessoais que jovens e familiares sofrem após atuações abaixo da expectativa. O recado deixa claro que o clube considera o contexto psicológico tão relevante quanto o técnico na transição da base para os profissionais.
Raio-X da base em 2025
Jogadores com 10+ partidas:
- Wesley – 18 jogos
- Evertton Araújo – 14 jogos
- Wallace Yan – 12 jogos
- Matheus Gonçalves – 11 jogos
Número de atletas da base com 10+ partidas por temporada:
- 2019: 7 atletas
- 2020: 8 atletas
- 2021: 9 atletas
- 2022: 10 atletas
- 2023: 11 atletas
- 2024: 9 atletas
- 2025: 4 atletas
Desde Vinícius Júnior e Lucas Paquetá, revelados em 2017, foi a primeira vez que o Flamengo encerrou uma temporada com menos de cinco formandos atingindo minutagem significativa no elenco principal.
Reformulação anunciada e “período de seca” em 2026
O presidente Bap confirmou que o departamento de base passará por mudanças estruturais para 2026, indicando um investimento maior em captação, análise de desempenho e suporte psicológico. O mandatário, porém, avisou ao torcedor que o clube poderá viver um “período de seca”, sem brilho esportivo imediato, prevendo uma retomada a partir de 2027.
Imagem: Internet
Impacto na construção do elenco para 2026
Com o elenco principal atravessando ciclo vencedor e valorizado no mercado, dois cenários surgem para 2026:
- Manutenção do time titular: exige folha salarial alta e dificulta brecha para garotos.
- Venda estratégica: saídas pontuais abririam lacunas, mas exigem que a base esteja pronta para responder.
Para lidar com o intervalo entre formação e exigência competitiva, o Flamengo trabalha com empréstimos controlados e retorno programado dos jovens em 2027, ano apontado pela diretoria como o início de um novo ciclo esportivo.
Enquanto isso, a comissão técnica deverá reforçar minutos de jogo em torneios de menor pressão, como as primeiras rodadas do Carioca e a fase inicial da Copa do Brasil, para acelerar a maturação dos principais talentos.
Se conseguir equilibrar resultados e formação, o Flamengo pode reaproximar sua realidade da de 2019, quando as joias Vinícius e Paquetá foram vendidas por cifras recordes e financiaram contratações decisivas. O desafio, agora, é blindar os garotos da pressão externa e construir pontes que evitem a repetição do menor aproveitamento observado em 2025.
Com informações de NetFla