Porto Alegre, 12 de janeiro de 2026 – O Sport Club Internacional teve R$ 239.843,97 bloqueados em contas bancárias depois que a 18ª Vara Cível de Porto Alegre rejeitou a oferta de uma máquina de iluminação para gramados como garantia de pagamento de uma dívida que, com honorários, gira em torno de R$ 800 mil ao agente Pablo Alain Lecler Fluxa. A decisão foi publicada no fim de dezembro, durante o recesso do Judiciário.
O que motivou a cobrança
A ação decorre de comissões pela intermediação da chegada do atacante chileno Carlos Palacios ao Internacional em 2021. O atleta, hoje no Boca Juniors, disputou 35 partidas pelo Colorado entre 2021 e 2022 antes de passar por Vasco e Colo-Colo. O empresário alega que parte da remuneração contratual nunca foi quitada, levando o processo à esfera judicial.
Por que a máquina MU360 foi rejeitada
Em tentativa de suspender a execução, o Inter indicou como garantia um equipamento modelo MU360, sistema de iluminação artificial para crescimento de gramados naturais fabricado pela holandesa SGL System. A juíza Fabiana dos Santos Kaspary considerou o bem de “baixa liquidez” e incompatível com a quantia devida:
“Beira à jocosidade […] um clube como o Internacional, celebrante de contratos milionários, indicar máquina de iluminação de grama que, evidentemente, não vale hoje o que valia na compra.”
O agente também contestou, alegando custos de transporte, armazenagem, seguro e mercado restrito para revenda.
Raio-X da dívida e das garantias oferecidas
- Valor principal da ação: R$ 640.000
- Honorários e correções: aproximadamente R$ 160.000
- Bloqueio efetivado (BacenJud): R$ 239.843,97
- Bens oferecidos pelo Inter:
- 1º – Sistema de iluminação MU360 (recusado)
- 2º – CT Parque Gigante (em análise)
- Situação atual: processo aguarda retomada do expediente judiciário em 20 de janeiro para nova avaliação.
Contexto financeiro do Internacional
Segundo o último balanço divulgado (2025), o clube terminou a temporada com déficit operacional de R$ 59 milhões e dívida total superior a R$ 700 milhões, reflexo de investimentos em elenco e infraestrutura. Em 2024, a folha salarial foi a segunda maior do Sul do Brasil, atrás apenas do rival Grêmio. A dificuldade de caixa tem levado o Colorado a:
- Renegociar prazos com fornecedores e agentes.
- Antecipar receitas de direitos de transmissão.
- Vender percentuais de jogadores da base.
Esse cenário ajuda a explicar a tentativa de penhorar um ativo não financeiro como a máquina de iluminação, que raramente encontra compradores fora do mercado esportivo europeu.
Imagem: Internet
Impacto esportivo e administrativo
Embora o valor bloqueado represente menos de 1% da folha anual estimada em R$ 300 milhões, o congelamento de contas em pleno mês de pré-temporada pressiona o fluxo de caixa para:
- Pagamento de direitos de imagem dos atletas em janeiro.
- Registro de reforços antes da abertura da janela nacional (30/01).
- Cumprimento de parcelas previstas no Ato Trabalhista do clube.
Internamente, o departamento de futebol teme que novos bloqueios comprometam negociações em andamento, sobretudo no setor ofensivo, carente desde a saída de Enner Valencia para a Premier League.
Próximos passos processuais
Com o recesso do Judiciário terminando em 20 de janeiro, o Inter deve apresentar nova proposta – desta vez lastreada no CT Parque Gigante – para substituir a penhora em dinheiro. Caso não obtenha êxito, a tendência é que a execução prossiga com bloqueios sucessivos até a quitação integral ou acordo extrajudicial com o agente.
Conclusão: A recusa da máquina MU360 expõe a dificuldade do Internacional em gerar liquidez imediata sem recorrer a ativos essenciais. Se o impasse não for resolvido rapidamente, o clube corre o risco de entrar na temporada 2026 com limitações de caixa e pressão adicional no mercado de transferências, tema que seguirá no radar até a reabertura do tribunal.
Com informações de ESPN Brasil