Rio de Janeiro (RJ) — O argentino Luis Zubeldía chegou nesta semana à marca de 43 partidas à frente do Fluminense, ultrapassou o uruguaio Atuel Velásquez e assumiu a sétima posição entre os técnicos estrangeiros com mais jogos na história do clube.
Por que a marca de Zubeldía chama atenção?
Contratado em 2025 para substituir Renato Gaúcho, Zubeldía tornou-se o primeiro treinador estrangeiro a comandar o Tricolor no século XXI. Antes dele, o último técnico não brasileiro havia sido Hugo De León, que teve apenas três compromissos em 1997. A raridade de profissionais de fora do país nas Laranjeiras torna cada jogo do argentino um ponto fora da curva na linha do tempo tricolor.
Para efeito de comparação, somente 15 técnicos estrangeiros já treinaram o Fluminense em 122 anos de história. Entre eles, quatro ultrapassaram a barreira das 80 partidas; outros cinco não chegaram a 20. O fato de Zubeldía já ter excedido 40 confrontos indica um grau de confiança da diretoria pouco comum a treinadores vindos do exterior.
Raio-X: os 10 estrangeiros com mais jogos pelo Flu
Veja o recorte atualizado após o 43º jogo de Zubeldía:
1º Ondino Vieira (URU) — 302 partidas, 1938-1943
2º Quincey Taylor (ING) — 103 partidas, 1917-18 / 1934-35
3º Carlos Carlomagno (URU) — 90 partidas, 1936-38
4º Charlie Williams (ING) — 86 partidas, 1911-12 / 1924-26
5º Pode Pedersen (DIN) — 75 partidas, 1920-23
6º Eugenio Medgyessi (HUN) — 47 partidas, 1927-28
7º Luis Zubeldía (ARG) — 43 partidas, 2025-26*
8º Atuel Velásquez (URU) — 41 partidas, 1944
9º Humberto Cabelli (URU) — 33 partidas, 1935-36 / 1944-45
10º Fleitas Solich (PAR) — 30 partidas, 1963-64
*marcação alcançada na temporada em andamento
O impacto da continuidade no desempenho coletivo
A manutenção de um projeto técnico por mais de 40 compromissos oferece estabilidade tática. Em suas primeiras duas temporadas completas, Zubeldía priorizou:
Imagem: Lucas Merç
- Linhas defensivas compactas para reduzir a média de finalizações sofridas;
- Saída de bola curta — ainda ecoando princípios da era Diniz, mas com menor risco;
- Uso frequente de trio de meio-campistas em losango, potencializando André como primeiro volante.
Esse ajuste encontra respaldo em números do Brasileirão 2026: o Flu figura entre os cinco times que menos sofreram gols nas primeiras rodadas, um ponto crítico após ter encerrado o nacional anterior com 46 tentos contra.
O que esperar dos próximos meses
Com Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão simultâneos, a longevidade de Zubeldía pode ser decisiva. A diretoria avalia que quebrar a barreira de 50 partidas igualaria o argentino a Eugenio Medgyessi, sexto da lista, algo factível já em julho. Ultrapassar a marca de 75 jogos de Pode Pedersen demandaria concluir 2026 no cargo, sinalizando um projeto de longo prazo raro no futebol brasileiro.
No curto prazo, o foco será manter o índice defensivo e recuperar peças do ataque. Caso avance às quartas de final da Libertadores, o Flu ganhará calendário extra e testará a profundidade do elenco sob o comando do argentino.
Conclusão: Ao atingir 43 partidas, Zubeldía não apenas reescreve a estatística de técnicos estrangeiros no Fluminense, mas fortalece um modelo de gestão que valoriza permanência e identidade de jogo. A escalada no ranking oferece um indicativo de que, se mantiver desempenho, o argentino pode terminar 2026 como o sexto ou até quinto estrangeiro mais longevo, consolidando um ciclo que impactará diretamente a competitividade tricolor nos torneios nacionais e continentais.
Com informações de NetFlu