Manchester (ING) – O técnico Pep Guardiola recebeu um apelo público da Jewish Representative Council of Greater Manchester & Region, nesta terça-feira (14), para “focar no futebol”. A entidade afirma que o treinador do Manchester City “tem decepcionado” o clube ao se manifestar repetidamente sobre conflitos internacionais, em meio à escalada de casos de antissemitismo no Reino Unido.
Por que o alerta foi feito agora?
Na última semana, Guardiola discursou em um evento beneficente em Barcelona em apoio às crianças palestinas e, em entrevista coletiva, citou a dor causada pelas mortes de civis em Palestina, Ucrânia, Sudão e nos Estados Unidos. O conselho judaico considera que o técnico, ao usar a sua visibilidade, “corre risco de inflamar tensões” e recorda o ataque de outubro de 2023 à sinagoga de Heaton Park, a poucos quilômetros do Etihad Stadium.
Guardiola fora de campo: histórico de posicionamentos
Não é a primeira vez que o espanhol leva temas políticos ao microfone. Em 2018, ele foi multado pela Federação Inglesa por usar um laço amarelo em defesa de líderes catalães presos. Desde então, Guardiola manteve postura ativa em causas humanitárias, mesclando o sucesso esportivo a manifestações públicas.
Raio-X: números do Manchester City sob Guardiola
- Títulos: 5 Premier Leagues, 2 FA Cups, 4 Copas da Liga e 1 Champions League desde 2016/17;
- Aproveitamento: 73% de vitórias em 450 partidas oficiais;
- Média de gols marcados: 2,4 por jogo;
<liMelhor defesa da última Premier League: 34 gols sofridos em 38 rodadas.
Esses indicadores explicam por que o conselho vê no treinador um “formador de opinião” capaz de impactar milhões de torcedores – o que, segundo a entidade, amplia a responsabilidade sobre suas palavras.
Potenciais impactos esportivos
A reação pública ocorre às vésperas da reta decisiva da temporada. O City ainda briga pelo tetracampeonato consecutivo da Premier League e disputa as semifinais da Copa da Inglaterra. Ruídos extracampo podem:
Imagem: Internet
- Alterar a rotina de coletivas, desviando o foco das análises táticas para temas geopolíticos;
- Gerar pressão de patrocinadores sensíveis a controvérsias envolvendo direitos humanos;
- Aumentar a necessidade de gestão de mídia do clube, que preferiu não comentar o episódio.
O que observar a seguir? O Manchester City retorna a campo no fim de semana e Guardiola, questionado novamente, reiterou que “sempre se levantará contra a morte de inocentes”. Resta saber se a diretoria adotará uma diretriz interna para blindar o elenco – um fator que pode ser decisivo na corrida pelo título inglês.
Com informações de BBC Sport