BELO HORIZONTE (MG) — Após virar para cima do Pouso Alegre no dia 31 e ser derrotado pelo RB Bragantino no último dia 10, o Atlético-MG mostra progressos na construção de jogadas, mas continua vulnerável na proteção da entrada da própria área, zona onde nasceram os dois últimos gols sofridos.
Zona de risco: a entrada da área ainda é o ponto fraco
A repetição do problema em jogos distintos indica uma falha estrutural. Nos dois lances, o adversário encontrou espaço livre entre meio-campo e zaga, finalizando sem pressão decisiva. A ausência de um primeiro volante de perfil marcador — com leitura defensiva e imposição física — impede o bloqueio precoce das investidas rivais.
Mercado na mira: a necessidade de um “camisa 5”
O elenco atual conta com volantes de boa saída de bola, mas nenhum especialista em destruição de jogadas. A diretoria já admitiu internamente o desejo por um atleta capaz de reduzir espaços e impor duelos. Um reforço nessa faixa do campo tende a elevar o nível de consistência defensiva e dar liberdade para os meias se projetarem com menos receio de contra-ataques.
Reinier: ocupação inteligente potencializa a posse
Na vitória sobre o Pouso Alegre, Reinier atuou entre as linhas, conectou setores e manteve a circulação da bola com passes curtos. Sua mobilidade contribuiu para que o time sustentasse a posse e encontrasse espaços no último terço. A lógica é simples: quanto mais tempo o Galo controla a pelota, menor a exposição da defesa.
Hulk precisa receber de frente
Quando o camisa 7 atua de costas, fixo entre os zagueiros, o time perde profundidade. De frente para o gol e atacando os espaços, Hulk transforma posse em vantagem física e técnica. Ajustar o posicionamento do atacante — aproximando-o das zonas de finalização em movimento — é peça-chave para ampliar a produtividade ofensiva.
Lado direito em construção: Preciado + Alan Franco
Preciado oferece vocação ofensiva, mas ainda oscila na consistência física e técnica. O encaixe com Alan Franco na saída de três é fundamental para equilibrar apoio e cobertura. Enquanto o entrosamento não atinge o ponto ideal, o setor segue alternando bons momentos com lapsos defensivos.
Raio-X: evolução x fragilidade
Posse de bola: a média subiu para 59 % nos dois jogos citados, sinal de maior conforto na construção.
Imagem: Pedro Souza
Gols sofridos em 2023: o Atlético encerrou o Brasileirão com 32 gols contra — melhor defesa da competição —, mas 25 % deles surgiram em finalizações de média distância, segundo dados da CBF. O padrão se repete em 2024, apontando para a urgência de blindar a entrada da área.
Setor carente: o clube não possui hoje um volante de origem reconhecidamente marcador desde a saída de Otávio, emprestado ao futebol europeu.
Impacto para a sequência da temporada
Com Campeonato Mineiro, Libertadores e Brasileirão no horizonte, a solidez defensiva será determinante para que os progressos com a bola se traduzam em resultados. A contratação de um primeiro volante de contenção aparece como atalho para acelerar esse equilíbrio e minimizar a dependência de atuações ofensivas impecáveis.
O Atlético-MG já deixou claro que evolução é processo. Torná-la consistente, porém, exige ajustes imediatos — principalmente no coração do campo.
Com informações de Fala Galo