Quem: Paul Green, chefe de futebol feminino do Chelsea.
O quê: pediu desligamento do cargo.
Quando: anúncio feito nesta segunda-feira (10/06).
Onde: Londres, sede do Chelsea FC.
Por quê: reestruturação do departamento feminino em 2024 reduziu sua autonomia e transferiu decisões esportivas para os co-diretores Laurence Stewart e Paul Winstanley.
13 anos, 19 troféus e a construção de uma hegemonia
Desde que chegou em 2013, Paul Green foi peça-chave na transformação do Chelsea Women em potência doméstica e continental. Ao lado de Emma Hayes, idealizou ciclos de contratações que resultaram em cinco títulos consecutivos da Women’s Super League (WSL), participações regulares na UEFA Women’s Champions League e um total de 19 conquistas oficiais. Em 2022, assumiu a equipe interinamente enquanto Hayes se recuperava de cirurgia, mantendo a invencibilidade que culminou na taça daquele ano.
Por trás da decisão: a nova governança azul
A saída de Green está diretamente ligada à centralização da gestão do futebol ao redor dos co-sporting directors do clube. Stewart e Winstanley passaram a comandar negociações, planejamento de elenco e integração de metodologias entre as equipes masculina e feminina. O movimento culminou na extensão de contrato de Sonia Bompastor até 2030, sinal de que o Chelsea aposta em um projeto de longo prazo ancorado na treinadora francesa.
Raio-X da era Paul Green
- Temporadas à frente do departamento: 11 completas (2013-2024)
- Títulos WSL: 7 (cinco deles consecutivos, de 2019-20 a 2023-24)
- Copas nacionais: 5 FA Cups, 4 League Cups
- Supercopas/Community Shield: 3 conquistas
- Final de Champions League: 2021 (vice-campeonato)
- Jogadoras contratadas na gestão: +60, incluindo nomes de impacto como Sam Kerr, Pernille Harder e Millie Bright.
Impacto imediato na temporada 2024/25
No curto prazo, a mudança provoca questionamentos sobre estratégia de mercado. Bompastor criticou publicamente a profundidade do elenco após a última janela, e o clube está nove pontos atrás do Manchester City na WSL. Sem Green, Stewart e Winstanley encaram o desafio de corrigir carências defensivas — o time sofreu média de 1,1 gol/jogo, a pior desde 2018 — e reforçar a base de jogadoras inglesas visando o novo regulamento de homegrown players.
O que vem a seguir?
A diretoria busca um novo head of women’s football com perfil de integração de dados e captação global. Rumores apontam para executivos que atuaram em ligas da Europa continental, sinalizando possível mudança de foco no recrutamento — de atletas consolidadas para talentos sub-23 de alto teto técnico. As próximas semanas, incluindo a janela de verão, serão determinantes para entender se o Chelsea manterá a hegemonia ou abrirá espaço para rivais.
Imagem: Internet
Conclusão prospectiva: a saída de Paul Green representa o fim de um ciclo vitorioso e o início de um novo capítulo estratégico no Chelsea Women. Como o clube responderá na próxima janela e no início da temporada 2024/25 definirá se a reestruturação reforçará a competitividade ou criará brechas para City, Arsenal e companhia encurtarem a distância.
Com informações de BBC Sport