Belo Horizonte (12.fev.2026) – O Atlético-MG oficializou a saída de Jorge Sampaoli após o empate por 3 a 3 contra o Remo, pela Copa do Brasil, e precisará buscar o 10º técnico desde 2020. O argentino durou 164 dias na segunda passagem, reforçando um padrão: em toda a década, o clube só manteve um treinador por mais de 300 dias uma única vez – justamente o próprio Sampaoli, entre março de 2020 e fevereiro de 2021.
Por que o Atlético gira tanto o comando?
A análise dos últimos seis anos mostra que o Galo alternou perfis (linha-dura, ofensivos, estrangeiros, ídolos da casa), mas não consolidou um modelo de jogo. A média de permanência é de 211 dias, pouco mais de sete meses, indicando que cada treinador atravessa no máximo um ciclo curto de estadual, primeiros turnos de Brasileiro ou fases iniciais de mata-matas.
Raio-X das 10 passagens na década 2020
Sampaoli (2020/21): 359 dias
Cuca (2021): 299 dias
Felipão (2023/24): 279 dias
Gabriel Milito (2024): 256 dias
Cuca (2025): 244 dias
Eduardo Coudet (2023): 205 dias
Antonio Mohamed (2022): 191 dias
Sampaoli (2025/26): 164 dias
Cuca (2022): 115 dias
Rafael Dudamel (2020): 55 dias
Efeitos táticos imediatos
Sem um técnico efetivo, o Atlético será comandado pelo auxiliar Lucas Gonçalves no decisivo confronto contra o Itabirito, válido pelo Campeonato Mineiro. A tendência é manter a estrutura 4-3-3 deixada por Sampaoli, mas com ajustes defensivos: o time sofreu 1,6 gol por jogo em 2026, número que pressiona pela correção de posicionamento de laterais e primeira linha de marcação.
Mercado de treinadores: opções e perfil buscado
Nos bastidores, a direção trabalha com três premissas: disponibilidade imediata, experiência em Libertadores e tolerância a pressão de resultados. Técnicos como nome estrangeiro livre ou nome brasileiro experiente surgem em listas preliminares, mas nenhum contato oficial foi confirmado até o momento da publicação.
Imagem: Jatas Berto O Atlético anunciou
Impacto a médio prazo
A troca antes do início da fase de grupos da Libertadores encurta o tempo de preparação para um torneio em que o Atlético já garantiu vaga. Nos últimos três anos, o clube teve aproveitamento de 58% em jogos que marcaram estreia de treinadores, índice que cai para 45% quando o comando é interino. Manter a competitividade em três frentes (Mineiro, Copa do Brasil e Libertadores) exigirá rápida definição para evitar perda de pontos cruciais nas primeiras rodadas do Brasileiro.
Em resumo, a saída de Sampaoli reacende o debate sobre estabilidade no comando técnico do Atlético-MG. Se a diretoria não mudar a política de curto prazo, o clube seguirá correndo o risco de repetir ciclos de adaptação e queda de desempenho justo nos momentos decisivos da temporada.
Com informações de Fala Galo