Rio de Janeiro, fevereiro de 2024 – No coração do carnaval carioca, comerciantes como Ubirajara Ferraz, o Bira das Camisas, e torcedores apaixonados vêm impulsionando a procura pelas camisas “meus dois amores” – peças que combinam escudos de clubes de futebol com símbolos de escolas de samba. O fenômeno, iniciado em 1998 na capital fluminense, ganha agora novas cores, cifras e projeção nacional à medida que a folia se aproxima.
Como nasceu a tendência que mistura arquibancada e avenida
A ideia surgiu quando a Unidos da Tijuca desfilou em homenagem ao Vasco, em 1998. Inspirado, Bira passou a estampar camisas que juntavam as duas paixões cariocas: futebol e samba. Quase três décadas depois, o conceito evoluiu para um item de identidade cultural que vai além da Marquês de Sapucaí.
Flamengo lidera a procura, Mangueira e Salgueiro completam o pódio
Segundo Bira, o Flamengo responde hoje pela maior parte dos pedidos, principalmente em parceria com Mangueira e Salgueiro. A combinação rubro-negra com a Portela também figura entre as mais vendidas, relata o comerciante Ivan França, da Pavuna. A lógica é cromática e afetiva: o vermelho do Flamengo “conversa” com o vermelho do Salgueiro, enquanto a tradição da Mangueira reforça o apelo histórico.
Raio-X do mercado das “duas paixões”
- Vendas de Bira: média de 110 camisas/dia na alta pré-carnaval.
- Modelos mais pedidos: Flamengo + Mangueira, Flamengo + Salgueiro, Flamengo + Portela.
- Ticket médio: de R$ 60 a R$ 90, variando conforme personalização.
- Público-alvo: torcedores locais, turistas e colecionadores de artigos de carnaval.
- Potencial de mercado: as 12 principais escolas do Grupo Especial desfilam para um público presencial estimado em 70 mil pessoas por noite; já o Maracanã movimenta média de 57 mil pessoas nos jogos do Flamengo em 2023. A intersecção desses públicos cria um universo de quase 130 mil consumidores diretos a cada temporada.
Expansão geográfica: Corinthians, Minas e Bahia no radar
Romário Souza, presidente da Torcida Raiz Mangueirense, articula parcerias para levar as camisas a outros estados. O piloto em São Paulo já contempla o Corinthians – modelo que ganhou versão especial sem a cor verde, para respeitar a rivalidade com o Palmeiras. Minas Gerais e Bahia aparecem como próximos focos, regiões onde o carnaval de rua cresce e clubes como Atlético-MG e Bahia possuem torcidas de massa.
Impacto cultural e econômico para clubes e escolas
Além de identificar o torcedor, a peça cria receita paralela a direitos de imagem. Clubes e escolas podem monetizar licenças de uso, enquanto fortalecem branding em mercados fora do eixo Rio-São Paulo. Para o carnaval, o item funciona como “uniforme” informal nas arquibancadas da Sapucaí, potencializando a visibilidade de cada agremiação.
Imagem: Internet
O que esperar para os próximos carnavais?
Com a profissionalização das ligas de carnaval e a adoção de plataformas de e-commerce pelos camelôs licenciados, a tendência é que as camisas “meus dois amores” ganhem linhas oficiais, coleções cápsula e até colaborações com marcas esportivas. Caso se confirme, clubes e escolas poderão transformar o produto em fonte recorrente de receita, ajudando a financiar contratações no futebol e fantasias na avenida.
Conclusão prospectiva: Se mantiver o ritmo de vendas de 110 peças diárias até a Quarta-feira de Cinzas, Bira das Camisas deve ultrapassar a marca de 4 mil unidades comercializadas só em 2024. A escala abre caminho para franquias regionais e acordos de licenciamento mais robustos, indicando que a mistura de futebol e samba deve desfilar por muito mais cidades brasileiras nos próximos anos.
Com informações de NetFla