Belo Horizonte, 26 de fevereiro de 2026 — Em entrevista ao canal HGPlay, o ex-atacante e ex-coordenador técnico Deivid revelou que, entre 2021 e 2022, viabilizou aproximadamente R$ 50 milhões em recursos para o Cruzeiro durante a gestão do então presidente Sérgio Santos Rodrigues. A iniciativa, segundo ele, foi decisiva para evitar medidas drásticas, como a troca de CNPJ e até mesmo a mudança de nome do clube.
Por dentro do colapso financeiro celeste
O Cruzeiro vivia o ápice de sua crise após o rebaixamento em 2019. Entre 2020 e 2022, o passivo total ultrapassava a casa de R$ 1 bilhão, segundo balanços oficiais divulgados pelo clube. Bloqueios judiciais diários drenavam qualquer entrada de receita, enquanto a folha salarial — estimada em cerca de R$ 5 milhões mensais na Série B — acumulava atrasos de até três meses.
Como funcionou a operação dos R$ 50 milhões
Deivid esclareceu que o montante não saiu de seu patrimônio, mas de parceiros de mercado. “Usei minha credibilidade para buscar investidores que confiassem no projeto de reestruturação”, afirmou, citando o empresário Pedrinho como um dos colaboradores. O dinheiro foi utilizado prioritariamente para:
- Quitar salários e direitos de imagem em atraso;
- Pagar acordos urgentes para evitar novas execuções judiciais;
- Manter obrigações operacionais básicas, como contas de energia, alimentação e logística de jogos.
Raio-X da crise: números que explicam a urgência
- Passivo total (2021): R$ 1,05 bi (Fonte: balanço oficial do clube).
- Receita bruta na Série B (2021): R$ 78 mi — queda de 60% em relação a 2019, último ano na Série A.
- Ponto de bloqueio médio: até quatro ordens judiciais por semana, segundo relatos da diretoria da época.
- Classificação na Série B 2021: 14.º lugar, 48 pontos — pior colocação da história celeste.
Impacto esportivo: do sufoco ao acesso
Embora o Cruzeiro não tenha conseguido o acesso em 2021, a injeção emergencial de capital impediu um efeito-dominó que poderia resultar em nova punição da FIFA ou até insolvência. O alívio de caixa permitiu:
- Manutenção de atletas-chave para 2022;
- Contratações pontuais de baixo custo, mas de alto impacto tático — casos do volante Willian Oliveira e do meia Neto Moura;
- Criação de um ambiente minimamente estável para a chegada da SAF controlada por Ronaldo Fenômeno em dezembro de 2021, fator determinante para o título e o retorno à Série A em 2022.
O que muda com a SAF e lições para 2026
Quatro anos depois, o Cruzeiro opera sob novo CNPJ da SAF, receita anual superior a R$ 300 milhões e redução de passivo civil para a casa dos R$ 700 milhões (parte migrou para o Regime Centralizado de Execuções). O depoimento de Deivid serve como estudo de caso sobre a importância de capital emergencial — mesmo que caro — para ganhar tempo até a chegada de um investidor estrutural.
Imagem: Reprodução
Perspectiva: as revelações reforçam a relevância de governança e transparência financeira na transição de clubes associativos para SAFs. Para 2026, o Cruzeiro projeta equilibrar despesas operacionais com a nova receita de direitos de TV da Libra. A forma como o clube aprenderá com as “pontes de liquidez” de 2021-22 pode determinar sua competitividade na Série A e em torneios continentais.
Com informações de Diário Celeste