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    Filipe Luís incrédulo com demissão no Flamengo, atritos do 1º ao último dia e mais: os bastidores da saída do técnico

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    Rio de Janeiro, 3 de março de 2026 – Filipe Luís foi demitido do comando técnico do Flamengo poucas horas depois da goleada por 8 a 0 sobre o Madureira, decisão que pegou o ex-lateral de surpresa e expôs fissuras que vinham se acumulando desde a troca de gestão no clube.

    Bastidores da ruptura: da efetivação contestada ao desgaste com Bap

    Quando assumiu a equipe após a saída de Tite, em 2024, Filipe Luís foi anunciado como “interino”, status que mudou para efetivo dias depois, com contrato até dezembro de 2025. A chegada de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, à presidência em janeiro de 2025, porém, criou o primeiro ponto de tensão: o novo mandatário não via o ex-jogador como técnico de sua preferência, e a permanência foi mais consequência de pressão interna e da idolatria da torcida do que de um plano da diretoria.

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    Desde então, choques de método se tornaram recorrentes. A tentativa de Filipe de manter funcionários do departamento médico e de comunicação, recém-demitidos pela nova gestão, foi interpretada como intromissão direta nas atribuições da presidência. Nos corredores do Ninho do Urubu, o desconforto ganhou corpo com a percepção de que o treinador desfrutava de autonomia excessiva no vestiário e pouca abertura à participação de membros da comissão e de executivos.

    Choques de gestão: José Boto, Gerson e Pedro como catalisadores

    O relacionamento entre Filipe Luís e o diretor de futebol José Boto também pesou. Bap esperava do executivo português um contraponto firme ao técnico, mas a proximidade entre os dois gerou desconfiança em parte da diretoria. Alguns episódios amplificaram o atrito:

    • Gerson: enquanto o presidente criticava publicamente o empresário e pai do volante, Filipe manteve o camisa 8 como capitão, reforçando a ideia de que defendia o jogador em disputas contratuais.
    • Pedro: declarações do treinador sobre a queda de rendimento do centroavante foram vistas pela direção como fator de desvalorização do ativo, dificultando uma venda futura.

    Somou-se a isso a renegociação contratual de Filipe no fim de 2025, na qual a entrada do agente Jorge Mendes e o pedido de aumento salarial foram classificados nos bastidores como “tumulto desnecessário”.

    Raio-X da Era Filipe Luís

    • Período no cargo: novembro/2024 – março/2026
    • Principal título: Copa do Brasil 2024
    • Vitória mais expressiva: 8 a 0 sobre o Madureira (Carioca 2026)
    • Pontos fortes identificados: compactação defensiva herdada de seu histórico como lateral; manutenção da posse de bola acima de 60% em média nos Estaduais, segundo dados de Scout do clube.
    • Pontos de fricção: comunicação externa, gestão de elenco e alinhamento com a alta cúpula.

    Impacto imediato: quem comanda e a sequência de decisões

    A demissão ocorre a cinco dias da final do Campeonato Carioca contra o Fluminense (8/3) e antecede duas rodadas do Brasileirão em oito dias, contra Cruzeiro (11/3) e Botafogo (14/3). A diretoria trabalha com duas frentes:

    1. Interino de emergência: a tendência é que um auxiliar fixo conduza o time na final, mantendo o modelo de jogo para evitar choques na curta preparação.
    2. Busca por técnico definitivo: o perfil desejado, segundo fontes internas, é de um gestor “menos boleiro” e mais alinhado à governança corporativa que Bap quer implementar.

    O que muda taticamente para 2026

    Sem Filipe Luís, o Flamengo deve:

    • Reavaliar a hierarquia de liderança no vestiário, sobretudo a braçadeira de capitão, que vinha sendo de Gerson.
    • Abrir a possibilidade de retorno de Pedro ao time titular sem desgaste público, caso o novo técnico opte por um centroavante de referência.
    • Redefinir processos de tomada de decisão que envolvem departamento médico e comunicação, pontos nos quais a diretoria pretende ter maior ingerência.

    Conclusão prospectiva: A saída de Filipe Luís encerra um ciclo curto, porém tumultuado, e impõe ao Flamengo a urgência de alinhar campo e bastidor antes de uma sequência de jogos decisivos. O próximo treinador herdará um elenco talentoso, mas também uma diretoria disposta a exercer controle mais rígido. A forma como esse alinhamento será conduzido pode definir não só o Carioca, mas o rumo rubro-negro em todo o calendário de 2026.

    Com informações de ESPN Brasil

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