Santos e Elano se reencontraram nesta terça-feira, 5 de março de 2026, na Vila Belmiro. O ex-meia, multicampeão pelo clube e autor de gol marcante pelo Grêmio no Gre-Nal 393, foi oficialmente apresentado como novo gerente de futebol das categorias de base, função que ele classificou como “o maior desafio” da carreira.
Por que Elano foi o escolhido?
A diretoria santista vive um processo de reorganização estrutural após temporadas de instabilidade esportiva e financeira. O departamento de formação — historicamente responsável por revelar Neymar, Rodrygo, Robinho, Diego, entre tantos outros — voltou a ser prioridade para equilibrar o caixa e abastecer o time principal.
Elano reúne três predicados que pesaram na decisão:
- Identificação com o clube: soma 322 jogos e 68 gols pelo Santos (2001-2004 e 2011-2013), além de seis títulos.
- Experiência como técnico: comandou o próprio Santos interinamente (2017) e passou por Figueirense, Inter de Limeira e Ferroviária, vivência útil para alinhar metodologias entre base e profissional.
- Networking internacional: atuou na Ucrânia, Inglaterra, Turquia e Índia, ampliando a rede de contatos para futuras parcerias e intercâmbios.
Raio-X da carreira de Elano
Dados de carreira (Fonte: números oficiais dos clubes e da CBF):
- Idade: 44 anos
- Posição original: meia (também atuou como volante)
- Jogos pelo Santos: 322 | Gols: 68
- Jogos pelo Grêmio: 41 | Gols: 5 — incluindo o gol da vitória no Gre-Nal 393 (29/09/2013)
- Seleção Brasileira: 50 jogos | 9 gols | Títulos: Copa América 2007 e Copa das Confederações 2009
- Títulos de clube: 2 Brasileiros (2002, 2004), 1 Libertadores (2011), 2 Paulistas (2011, 2012), 1 Recopa Sul-Americana (2012), entre outros.
O que muda na formação dos “Meninos da Vila”
Nos bastidores, o plano passa por três frentes:
- Padronização de modelo de jogo da base ao profissional, algo que times europeus usam para acelerar a transição.
- Captação regional reforçada: o clube pretende dobrar o número de olheiros no interior paulista, mercado onde perdeu terreno nos últimos anos para rivais com poder de investimento maior.
- Monetização de ativos: prospectar parcerias com clubes estrangeiros para venda com cláusula de recompra, reduzindo a dependência de negociações de última hora.
Impacto para 2026 e além
Com a chegada de Elano, o Santos sinaliza ao mercado que a formação de atletas volta ao centro da estratégia. A médio prazo, a expectativa interna é:
Imagem: Lucas Uebel
- Reduzir em até 20% a folha salarial do elenco principal até o fim de 2027, substituindo contratações de médio custo por pratas-da-casa.
- Aumentar a receita com vendas de jogadores sub-20 em pelo menos R$ 120 milhões no triênio 2026-2028, repetindo casos recentes como Rodrygo (R$ 193 mi) e Kaiky (R$ 28 mi).
- Retornar à disputa constante de títulos de base, vitrine essencial para valorizar ativos.
Próximos passos: Elano inicia ainda esta semana um road-show pelos CTs de base (Meninos da Vila, CT de Guarujá e polos regionais) para diagnosticar carências de infraestrutura. O relatório será apresentado ao presidente em abril, quando deve ser definido o orçamento adicional para 2026. O desempenho dos times sub-17 e sub-20 na Copa do Brasil da categoria, que começa em maio, será o primeiro teste prático da nova gestão.
Com a volta de um ídolo à linha de frente da formação, o Santos aposta em experiência, identidade e visão de mercado para recuperar o protagonismo na revelação de talentos — um movimento que pode redefinir o equilíbrio financeiro e esportivo do clube nos próximos anos.
Com informações de Portal do Gremista