Rio de Janeiro (07/03/2026) – O ex-tenista André Sá afirmou, no programa “Bola da Vez” deste sábado, que João Fonseca tem potencial para entrar no top 15 do ranking da ATP em curto prazo, mas ressaltou que o jovem de 19 anos precisa aprender a controlar a ansiedade gerada pela alta expectativa em torno de sua ascensão.
Quem é João Fonseca e por que ele desperta tantas expectativas
Revelado pela Escola de Tênis da Gávea e campeão juvenil do US Open em 2023, João Fonseca consolidou-se em 2025 com títulos de duplas no Rio Open e no inédito MGM Slam, em Las Vegas, que distribuiu mais de R$ 5 milhões em premiação. A rápida transição do circuito juvenil para o profissional resultou no 24.º lugar no ranking da ATP ao fim de 2025; atualmente, ele ocupa a 35.ª posição.
Evolução no ranking: do top 100 ao top 24 em 12 meses
No início de 2025, Fonseca era apenas o 103.º do mundo. O salto de 79 posições em uma temporada coloca o carioca em um ritmo similar ao de prodígios recentes, como Carlos Alcaraz, que subiu 70 colocações em 2021. Para André Sá, manter essa curva de crescimento depende de consistência em chaves principais de ATP 500 e Masters 1000, algo que ainda falta ao brasileiro.
Raio-X: números de Fonseca em 2025
• Títulos: 2 (duplas – Rio Open e MGM Slam)
• Vitórias/derrotas (simples): 35–22 (61% de aproveitamento)
• Vitórias sobre top 20: 3 (Rublev, Hurkacz e Tiafoe)
• Aces por jogo: 8,1
• Quebras convertidas: 42%
• Principais pisos: Quadra dura (68% de vitórias) e saibro (59%)
O desafio mental: ansiedade sob controle
Segundo André Sá, Fonseca precisa “colocar a cara para jogar” e vivenciar grandes arenas para normalizar a pressão. Estudos da ITF apontam que atletas sub-21 enfrentam, em média, 18% mais erros não forçados em jogos transmitidos em horário nobre. Programas de mindfulness e a presença de um psicólogo esportivo fixo na equipe — prática adotada por tops como Daniil Medvedev — podem acelerar essa maturação.
O que significaria um brasileiro no top 15 após quase duas décadas
Desde Gustavo Kuerten (n.º 1 em 2000) o tênis masculino do Brasil não vê um representante no top 15. Thomaz Bellucci chegou ao 21.º lugar em 2010, e a melhor marca recente foi o 18.º posto de Marcelo Melo em duplas. A entrada de Fonseca nesse grupo recolocaria o país na elite de simples e ampliaria a cota de brasileiros nos grandes torneios, beneficiando até mesmo o qualifying da Olimpíada de Los Angeles-2028.
Imagem: Internet
Próximos passos no calendário
Fonseca está inscrito para o Masters 1000 de Miami e, na sequência, para a temporada europeia de saibro, culminando em Roland Garros. Somar ao menos 360 pontos nesses eventos — equivalente a uma campanha de oitavas em Miami e terceira rodada em Paris — pode devolvê-lo ao top 25 ainda no primeiro semestre, pavimentando a corrida pelo top 15 até o ATP Finals.
Perspectiva imediata: Caso mantenha o índice de vitórias sobre adversários ranqueados entre 20.º e 50.º (atualmente em 64%), Fonseca terá margem para defender os 1.720 pontos conquistados em 2025 e buscar novos 600-800 pontos que o projetem ao patamar almejado por André Sá.
O cenário traçado pelo ex-número 55 do mundo reforça que o talento de João Fonseca já é suficiente para brigar com a elite; a diferença está em como ele administrará a pressão nas próximas chaves decisivas. A temporada de saibro será o primeiro grande teste psicológico de 2026 — e o termômetro para medir se o Brasil voltará a ter um top 15 em simples ainda este ano.
Com informações de ESPN.com.br