Liverpool (ING), 24/03/2026 – Mohamed Salah comunicou nesta terça-feira (24) que deixará o Liverpool ao término da temporada 2025/26, encerrando uma passagem de nove anos em Anfield na qual se consolidou como terceiro maior artilheiro da história do clube, com 255 gols em 435 partidas e nove títulos conquistados.
Entenda a decisão: por que o adeus acontece agora
O anúncio, feito em vídeo nas redes sociais, veio após semanas de especulação sobre o futuro do camisa 11. A queda de rendimento físico aos 33 anos, a adaptação ao modelo de jogo de Arne Slot – menos vertical que o de Jürgen Klopp – e sondagens antigas da Saudi Pro League formaram o contexto para a ruptura. Internamente, o plano da diretoria é recompor o setor ofensivo apostando no trio Luis Díaz, Cody Gakpo e Ben Doak, reduzindo a dependência do astro egípcio.
O legado em números
Gols e prêmios individuais
- 255 gols/435 jogos – média de 0,59 gol por partida;
- Artilheiro da Premier League em 5 edições (2018, 2019, 2022, 2023, 2025);
- Melhor Jogador da temporada pela PFA em 2018, 2022 e 2025;
- Recorde de gols em uma Premier League de 20 clubes: 32 (2017/18);
- Maior número de participações diretas (gols + assistências) em uma edição: 47 em 2024/25.
Títulos coletivos
- Champions League: 2018/19;
- Premier League: 2019/20 e 2024/25;
- FA Cup: 2021/22;
- EFL Cup: 2021/22;
- FIFA Club World Cup e UEFA Super Cup: 2019;
- Community Shield: 2022.
Impacto tático: o que o Liverpool perde
Salah foi a peça-chave do gegenpressing de Klopp. O movimento clássico consistia em Roberto Firmino recuando como falso 9 e liberando o corredor interno para a diagonal curta do egípcio, combinação que gerou 70 % dos gols de Salah até 2022 segundo dados do Opta. Com Slot, o 4-3-3 tem amplitude fixa nos pontas, exigindo mais jogo associativo pelo lado. A transição para um ataque menos vertical implica:
- Redução imediata de 0,34 xG por jogo, média gerada por Salah em 2024/25;
- Necessidade de reposicionar Gakpo como finalizador, não apenas armador entrelinhas;
- Maior carga de criação para Trent Alexander-Arnold no interior (agora volante), compensando a perda de desequilíbrio individual pela direita.
Raio-X do atual elenco sem Salah
| Jogador | Função principal | Gols 25/26* | xG/90 |
|---|---|---|---|
| Luis Díaz | Extremo esquerdo | 14 | 0,39 |
| Cody Gakpo | Falso 9 | 11 | 0,31 |
| Ben Doak | Extremo direito | 4 | 0,28 |
*Dados até a 30ª rodada da Premier League 2025/26.
Cenários para o futuro próximo
1. Temporada em curso – O Liverpool ainda disputa Champions League (enfrenta o PSG nas quartas) e FA Cup (pega o Manchester City). Uma última volta olímpica de Salah turbinaria a pontuação de coeficiente da UEFA e atrairia receita extra de premiação.
Imagem: Internet
2. Mercado de verão 2026 – Caso o destino seja a Saudi Pro League, a venda poupará cerca de £35 M em salários até 2027 e abrirá espaço no teto salarial para novas contratações. Se preferir permanecer na elite europeia, clubes que necessitam de referência ofensiva e dispõem de solidez financeira – como Paris Saint-Germain (caso perca Mbappé) ou Juventus – monitoram a situação.
3. Planejamento esportivo – Sem Salah, a diretoria acelera a integração do brasileiro Luis Guilherme (ex-Palmeiras) e estuda a contratação de um ponta destro capaz de replicar o corte para dentro. Nomes como Bukayo Saka (Arsenal) aparecem apenas em listas iniciais; a política recente do FSG prioriza perfis sub-23 com valor de revenda.
Conclusão prospectiva
A despedida de Mohamed Salah encerra um ciclo de alta performance que recolocou o Liverpool no topo da Inglaterra e da Europa. Dentro de campo, perde-se o maior gerador de gols da era moderna do clube; fora dele, fica o desafio de manter a identidade competitiva enquanto se renova o elenco. Os próximos meses indicarão se a transição será suave – apoiada em dados, recrutamento e adaptação tática – ou se o vácuo deixado pelo Rei Egípcio exigirá mais de uma janela de transferências para ser preenchido.
Com informações de Trivela