Boston (EUA), 25 de março de 2026 — Às vésperas do amistoso contra a França, Vinicius Jr. garantiu que a Seleção Brasileira tem estofo para brigar pelo hexa mesmo se Neymar não estiver em plena forma na Copa do Mundo de 2026. O atacante do Real Madrid reconheceu a importância do camisa 10, mas ressaltou a evolução de outros nomes do elenco e o trabalho de Carlo Ancelotti para diversificar as fontes de criatividade ofensiva.
O que disse Vinicius Jr. sobre a “Neymar-dependência”
Questionado sobre a frase de Romário — “se o Neymar não for, é quase impossível ser campeão” —, Vinicius Jr. respondeu de forma diplomática:
“Sou suspeito para falar do Ney, é um dos meus amigos… Ele é o maior artilheiro da Seleção e sempre queremos jogar com os melhores, mas há outros atletas em grande fase na Europa.”
O camisa 7 citou Raphinha, Casemiro e os jovens que ganharam espaço no ciclo pós-Qatar, reforçando a ideia de um elenco mais plural em 2026.
Contexto histórico: existe, de fato, dependência de Neymar?
Desde 2010, o Brasil disputou 28 jogos de Copa América e Copa do Mundo com Neymar em campo, obtendo aproveitamento de 76%. Sem ele, em 14 partidas de mata-mata ou fase de grupos nos mesmos torneios, o índice cai para 57%. Os números sustentam a tese de que o atacante faz diferença — mas não significam inviabilidade competitiva sem o astro.
A comissão de Ancelotti tem buscado diluir essa responsabilidade criando padrões de ataque em que Vini Jr. inicia jogadas do lado esquerdo e Rodrygo (fora deste amistoso por lesão) ou Raphinha atacam o segundo pau, enquanto Bruno Guimarães e Casemiro alternam encaixes por dentro para liberar laterais mais altos.
Raio-X ofensivo da Seleção até março de 2026
- Neymar — 79 gols em 130 partidas; 0,61 gol/jogo
- Vinicius Jr. — 16 gols em 45 jogos; 0,36 gol/jogo
- Raphinha — 9 gols em 31 jogos; 0,29 gol/jogo
- Rodrygo — 11 gols em 33 jogos; 0,33 gol/jogo
- Média de gols do Brasil na era Ancelotti: 2,1 por partida (12 jogos)
Os números mostram um ataque mais distribuído: 51% dos gols na gestão Ancelotti saíram de jogadas pelas pontas, contra 38% no ciclo anterior. O desenho tático prioriza amplitude e diagonais curtas, o que reduz a dependência de um único articulador central.
Imagem: Internet
Impacto imediato nos amistosos de março
Sem Rodrygo, Ancelotti deve testar a dobradinha Vinicius-Raphinha contra a França. Se o plano funcionar, o Brasil ganha uma alternativa sólida caso Neymar chegue à Copa sem ritmo total. Já contra a Croácia, a ideia é usar um “falso 9” — João Pedro ou Endrick — para simular cenários de jogo em que a equipe precise de mobilidade no terço final.
O que vem a seguir para o caminho rumo ao hexa
Além dos amistosos de março e maio, a CBF negocia testes contra seleções africanas em junho para avaliar o time sob pressão física. Até dezembro, Ancelotti espera ter 90% da convocação final definida. A situação clínica de Neymar é o principal ponto de observação, mas o crescimento de Vinicius Jr. como líder técnico reduz o risco de uma “Neymar-dependência” exclusiva.
No cenário atual, a Seleção chega à Copa de 2026 mais versátil do que em 2022. Se Neymar estiver 100%, o potencial ofensivo sobe de patamar; se não, o modelo de jogo já prevê variações que colocam Vinicius Jr. como referência de desequilíbrio. O próximo amistoso contra a França servirá de termômetro para medir o quanto essa transição de protagonismo está madura.
Com informações de ESPN Brasil