Foxborough (EUA), 26/03/2026 – Sob olhares atentos de Carlo Ancelotti e Didier Deschamps, Brasil e França se enfrentam nesta quinta-feira, às 17h (de Brasília), no Gillette Stadium. O encontro, penúltimo compromisso antes da convocação final para a Copa do Mundo da América do Norte, coloca em campo duas seleções que compartilham questionamentos táticos semelhantes: a forma física de seu principal astro e a fragilidade nas laterais.
Mbappé ainda não está a 100%: como a França lida com a dependência de seu camisa 10
Desde dezembro, Kylian Mbappé convive com uma entorse no joelho esquerdo. O atacante perdeu quase um mês de atividade no Real Madrid e, mesmo após retorno gradual – foi reserva contra o Manchester City pela Champions League em 17/03 –, segue em regime de controle de carga. Sem o artilheiro, Deschamps recorreu a Jean-Philippe Mateta, que agora também se lesionou, abrindo espaço para Hugo Ekitiké concorrer com Randal Kolo Muani e Marcus Thuram.
O problema é duplo: além da queda natural de poder de fogo (Mbappé participou de 8 dos 10 jogos franceses em 2025), a estrutura ofensiva perde a referência que estica o campo e libera espaço entrelinhas para Griezmann ou Tchouaméni aparecerem na área. Sem o camisa 10, a França finaliza menos – queda média de 3,2 finalizações por jogo, segundo dados da Federação Francesa.
Laterais: o calcanhar de Aquiles que franceses e brasileiros partilham
Lesões e má fase transformaram as alas na posição mais vulnerável dos Bleus. À direita, não há especialista que agrade a comissão técnica; Jules Koundé, zagueiro de origem, foi o mais confiável até sofrer problema muscular na coxa. A alternativa é testar Pierre Kalulu (Juventus) ou repetir a ousadia de Luis Enrique no PSG, deslocando o meio-campista Warren Zaïre-Emery para a função.
Pelo lado esquerdo, Lucas Digne perdeu espaço no Aston Villa e Theo Hernández deixou de mostrar a potência que o consagrou. O cenário é tão incerto que Lucas Hernández (PSG) e até Eduardo Camavinga (meio-campista de origem) podem aparecer improvisados.
Do outro lado, o Brasil de Ancelotti sofre drama semelhante: sem laterais consolidados, usa testagem de Yan Couto, Caio Henrique e improvisações com zagueiros. O amistoso, portanto, serve de laboratório cruzado para as duas comissões.
Raio-X da convocação francesa
Goleiros: Lucas Chevalier (PSG), Mike Maignan (Milan), Brice Samba (Rennes)
Defensores: Digne, Gusto, L. Hernandez, T. Hernandez, Kalulu, Konaté, Lacroix, Upamecano
Meio-campistas: Camavinga, Kanté, Manu Koné, Rabiot, Tchouaméni, Zaïre-Emery
Atacantes: Akliouche, Cherki, Dembélé, Douré, Ekitiké, Kolo Muani, Mbappé, Olise, Thuram
Imagem: Internet
Dos 26 convocados, 17 atuam em ligas consideradas top-5 da UEFA, reforçando a profundidade do elenco. Ainda assim, somente três são laterais de origem, e dois deles (Digne e Gusto) alternam titularidade nos clubes.
O que Ancelotti pode absorver desse teste
Para o Brasil, enfrentar uma França possivelmente sem Mbappé, mas ainda poderosa em meio-campo e zaga, ajuda a medir a consistência defensiva de uma seleção que sofreu 9 gols nos últimos 6 jogos. Já Deschamps analisará se seus coringas nos flancos suportam pressão sustentada de pontas dribladores – categoria que inclui Vinícius Júnior e Raphinha.
Próximos capítulos: definição de listas e troca de comando à vista
Independentemente do placar em Foxborough, o resultado influenciará mais a construção de confiança do que a vaga de alguém na Copa. A projeção na imprensa francesa é de que Deschamps encerre seu ciclo logo após o Mundial, com Zinedine Zidane como favorito para sucedê-lo. Para Ancelotti, um triunfo sobre os Bleus consolida a ideia de um Brasil competitivo antes de encarar a reta final de preparação contra Inglaterra e México em maio.
Conclusão: o amistoso Brasil x França expõe fragilidades espelhadas – dependência de estrelas e lacunas nas laterais – e oferece a ambos os técnicos a última chance de respostas em ambiente de alta exigência. O desempenho em Foxborough, mais do que o resultado, ditará onde cada seleção precisa ajustar a mira antes da convocação final para a Copa do Mundo.
Com informações de Trivela