Problemas financeiros do Real Madrid podem ser trunfo para plano controverso de seu presidente

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Madri (ESP) – 28.mar.2026 — O Real Madrid registrou forte deterioração financeira em 2025 e, diante do caixa reduzido a €3,4 milhões, o presidente Florentino Pérez volta a colocar na mesa a proposta de abrir 5% do clube a capital externo, algo inédito desde a fundação em 1902.

Por que o alerta soou no Bernabéu?

Relatório obtido pelo jornal El Confidencial revela três pontos críticos:

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  • Liquidez: de €175,8 mi (jun/25) para €3,4 mi (dez/25), queda de 98%.
  • Lucro líquido: recuo de 80%, saindo de €29,4 mi (dez/24) para €5,2 mi (dez/25).
  • Capital de giro: passou de –€185 mi (2024) para –€406 mi (2025), refletindo maior endividamento de curto prazo.
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Dois fatores explicam a sangria de caixa: gastos com elenco, que subiram 26,2% e chegaram a €318,9 mi, e as obras de remodelação do Estádio Santiago Bernabéu, estimadas em €900 mi.

Modelo societário: como funciona hoje e o que muda

O Real Madrid é uma associación deportiva; apenas sócios (“socios”) podem votar e deter cotas, modelo semelhante ao do Barcelona. Em novembro de 2025, Pérez propôs criar uma subsidiária com um investidor minoritário (≈5% do capital). A estrutura manteria controle dos sócios, mas liberaria recursos imediatos para:

  1. Amortizar parte da dívida do estádio, cujo financiamento principal vence em 2049.
  2. Manter competitividade salarial diante de clubes-estado da Premier League.
  3. Aumentar poder de fogo em futuras janelas (ex.: possíveis investidas em Mbappé ou laterais de elite).

Raio-X financeiro comparativo

Indicador Real Madrid 2025 Real Madrid 2024 Barcelona 2025*
Caixa em 31/dez €3,4 mi €61 mi €9,9 mi
Endividamento total ≈€1,2 bi** €1,03 bi €1,35 bi
Folha salarial €318,9 mi €252,7 mi €406 mi
Receita sem vendas de jogadores (1º S/25-26) €571,3 mi €589,8 mi €531 mi

*Dados do Barcelona referentes ao balanço 2024/25.
**Inclui financiamento para o novo Bernabéu.

Impacto tático-financeiro: elenco caro, mas quase imutável

Com salários representando 67% da receita operacional, o clube se aproxima do limite recomendado pela La Liga (70%). Manter estrelas como Bellingham, Vinícius Júnior e Federico Valverde exige caixa robusto para bônus e renovações. Sem nova fonte de capital:

  • Contratações estratégicas, como um lateral-direito sucessor de Carvajal, podem ser adiadas.
  • A política de “galácticos” pode ceder espaço a prospecção de joias de mercado emergente (ex.: Endrick, já contratado) para equilibrar folha.

Como o novo Bernabéu pode virar a chave

A arena multiuso deve elevar a receita de matchday e eventos para acima de €300 mi/ano — hoje é inferior a €150 mi. Porém, esses ganhos só se materializam após a conclusão total das obras e a retomada do calendário de shows em 2026/27. Até lá, a venda de 5% a investidores funcionaria como ponte de liquidez.

O que observar nos próximos meses

• Assembleia extraordinária de sócios: sinal verde ou veto ao investidor minoritário.
• Janela de verão 2026: capacidade de gastos indicará fôlego de caixa.
• Negociações de naming rights do Bernabéu: cada €20 mi/ano reduz pressão financeira.

Em síntese, a fragilidade de curto prazo nas finanças merengues — impulsionada por obras caras e folha crescente — concede a Florentino Pérez um argumento concreto para alterar um modelo societário centenário. A decisão dos sócios, prevista para o segundo semestre, definirá se o Real Madrid seguirá 100% dos torcedores ou abrirá a porta, ainda que pequena, ao capital externo — movimento que pode redesenhar o equilíbrio competitivo na elite europeia já a partir da temporada 2026/27.

Com informações de Trivela

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