CBF apresenta estudo sobre liga do futebol e discute endividamento dos clubes

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Rio de Janeiro, 2024 – A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) reuniu representantes das Séries A e B para apresentar um estudo que servirá de base à criação de uma liga única até dezembro de 2026, ao mesmo tempo em que acendeu o alerta sobre o salto de 147 % no endividamento dos clubes entre 2022 e 2024.

Por que a CBF quer reorganizar o futebol brasileiro?

Segundo o presidente Samir Xaud, antes de discutir divisão de receitas é preciso “organizar a casa”. O levantamento indica lacunas em governança, calendário e infraestrutura que mantêm o “produto futebol brasileiro” desvalorizado quando comparado a ligas europeias.

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Endividamento: onde o calo aperta

Mesmo com receitas ascendentes – impulsionadas por direitos de TV, bilheteria e patrocínios – os clubes destinaram a maior parte dos recursos a contratações e folha salarial, retardando a quitação de passivos históricos. O resultado foi um aumento de 147 % nas dívidas em apenas dois anos, fenômeno que pressiona a sustentabilidade de médio prazo.

Gramados na mira: padrão único a caminho

Hoje, cinco times da Série A, entre eles Atlético-MG e Palmeiras, utilizam gramado sintético. A CBF pretende estabelecer critérios objetivos (dimensão, tipo de material e manutenção) tanto para campos artificiais quanto naturais, transferindo a responsabilidade de conservação para os clubes e reduzindo disparidades técnicas que afetam o espetáculo.

Rebaixamento e limite de estrangeiros

A proposta de diminuir os rebaixados de quatro para três na Série A visa reduzir o risco financeiro de quem cai, mas impacta o mecanismo de acesso da Série B. Já o teto de até nove atletas estrangeiros por jogo, em vigor desde 2024, será revisitado para que não obstrua a transição de jogadores formados nas categorias de base.

Raio-X comparativo de receitas (dados públicos)

Premier League 2022/23: €6,4 bi
Bundesliga 2022/23: €3,1 bi
La Liga 2022/23: €3,3 bi
Campeonato Brasileiro 2023*: €0,9 bi
*Conversão aproximada das receitas consolidadas dos 20 clubes da Série A (balanços publicados).

Com receita inferior a um terço da Bundesliga, o mercado nacional carece de um salto de valor antes de discutir nova partilha.

CBF apresenta estudo sobre liga do futebol e discute endividamento dos clubes - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Cronograma para o estatuto da liga única

Mai–Jul/2026: coleta de sugestões
Ago–Set/2026: ajustes e aprovação
Out–Dez/2026: formatação comercial e publicação do estatuto

Impacto projetado

Se cumprir o calendário, a nova liga entrará em vigor em 2027, ano-base para contratos de mídia e patrocínio. A padronização de gramados e a eventual redução de rebaixamentos podem alterar o nível técnico e financeiro já na próxima janela de planejamento esportivo, influenciando decisões de investimento, formação de elencos e até a arquitetura de estádios multiuso.

Nos próximos meses, a atenção se volta para a formalização das minutas que regulamentarão teto de gastos, fair play financeiro e composição do conselho gestor da futura liga. Esses pontos serão decisivos para atrair parceiros comerciais e equiparar o Brasileirão às principais competições do mundo.

Com informações de NetFla

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