Newcastle, 22 de abril de 2024 — Apesar de ter desembolsado £124 milhões na última janela para contratar os atacantes Yoane Wissa e Nick Woltemade, o Newcastle United ainda não encontrou uma solução estável para a posição de centroavante e voltou a perder pontos nos minutos finais, desta vez na derrota por 2 x 1 para o Crystal Palace em Selhurst Park.
Por que o ataque segue sendo um quebra-cabeça em St. James’ Park
A saída de Alexander Isak para o Liverpool por £125 milhões, há sete meses, deixou uma lacuna que o técnico Eddie Howe tenta preencher com diferentes perfis de jogadores. Sem um substituto direto, Howe optou por dividir a carga de minutos entre Wissa, Woltemade e até o ponta Anthony Gordon. Entretanto, nenhum deles repetiu o impacto de Isak: o sistema ofensivo cobra um atacante rápido, capaz de pressionar a saída rival e atacar espaço em transições — características ainda não consolidadas nos recém-chegados.
Raio-X das contratações: investimento alto, retorno modesto
Yoane Wissa
– 2 gols nos 2 primeiros jogos, apenas 1 nas 12 partidas seguintes;
– Chegou sem pré-temporada e sofreu lesão no joelho durante data-Fifa pela RD Congo.
Nick Woltemade
– 5 gols nos seus 6 primeiros jogos como titular, mas usado mais recuado na ausência do capitão Bruno Guimarães;
– Melhor taxa de conversão de finalizações do elenco: 23% (mínimo 30 chutes).
Coletivo
– Newcastle é o 2º time que mais marca no 1º tempo (24 gols), mas o que mais cede pontos após abrir vantagem (25 pontos perdidos).
– Investimento líquido na última janela superou £100 milhões, mas somente 1 dos 5 reforços de linha (Malick Thiaw) foi titular contra o Palace.
A questão tática: encaixe, pressão e fadiga
O modelo de Howe se apoia em pressão alta e ataques rápidos. Sem Isak e com Callum Wilson também negociado, a referência passou a ser Woltemade, jogador de maior estatura e menos explosão. Para manter a intensidade de pressão, Howe chegou a deslocar o alemão para o meio-campo, abrindo espaço a Gordon pelo centro — um ajuste que fragilizou a presença diária na área. Wissa, por sua vez, viveu preparação fragmentada e ainda busca o “timing” do sistema, algo perceptível contra o Palace: entrou nos acréscimos e sequer tocou na bola.
Impacto na tabela e futuro imediato
Com a derrota, o Newcastle caiu para a 14ª colocação. O clube encara o Bournemouth no próximo sábado precisando estancar a sangria de pontos nos finais de jogo. A sequência do calendário, sem competições continentais, oferece tempo de recuperação física e ajustes de treino — cenário ideal para que Howe volte a usar Woltemade mais adiantado e integre Wissa plenamente ao plano tático.
Imagem: Internet
Perspectiva: A diretoria trabalha com a volta de Bruno Guimarães nas próximas semanas e com a reabertura de mercado para, possivelmente, buscar mais um atacante. Até lá, o desempenho de Wissa e Woltemade será determinante para a estabilidade de Howe no cargo e para afastar o risco de uma luta inesperada contra a parte baixa da tabela.
Com informações de BBC Sport