Futebol e música voltaram a se cruzar quando o cantor cearense Fagner recordou, em entrevista concedida em 17 de abril de 2026, a passagem pela Udinese, na Itália, nos anos 1980, ao lado de Zico. Durante uma atividade no clube de Údine, o então treinador chegou a afirmar que, para o jogo contra a Lazio, “só tinham vaga garantida o camisa 10 brasileiro e o cantor”.
Por que esse encontro aconteceu?
Zico defendeu a Udinese entre 1983 e 1985, período no qual Fagner — amigo pessoal do ex-jogador — acompanhou o camisa 10 em compromissos sociais e particulares. Em um intervalo de treinos, o atacante convidou o músico para participar das atividades, algo comum em sessões abertas ao staff dos jogadores naquela época na Itália.
Raio-X histórico de Zico na Udinese
• Temporadas: 1983/84 e 1984/85
• Jogos na Serie A: 57
• Gols marcados: 30
• Assistências registradas: 13 (dados de publicações especializadas)
• Posição tática: meia-atacante central (camisa 10), responsável pela criação das jogadas e cobranças de bola parada.
O contexto tático da Udinese em 1983/84
Naquele período, a equipe friulana utilizava um 4-3-1-2, no qual Zico atuava à frente do trio de meio-campistas, flutuando entre as linhas e abastecendo os dois atacantes. A declaração do técnico — “Zico e o cantor serão titulares” — ilustra dois pontos:
1. O nível de confiança depositado em Zico, peça insubstituível do modelo de jogo.
2. A limitação qualitativa do elenco, que terminou a Serie A 1983/84 na 9ª colocação com 32 pontos, 10 a menos que a zona de classificação às competições europeias na época.
Quando Fagner quase foi a campo
O cantor revelou que, devido a uma forte nevasca, o elenco ficou três dias confinado em casa. Mesmo assim, participou de treinos em condições adversas: gramado coberto de neve e temperatura abaixo de zero. Ainda brincou sobre “ter vaga” numa Udinese que, segundo ele, “não vivia grande fase”.
Imagem: Internet
Futebol além da Itália: a história no Japão
Outro episódio relatado envolveu uma excursão ao Japão. Sob comando de Rivellino — então técnico de uma equipe em amistoso — Fagner quase entrou em campo por falta de jogadores devido a transtornos aéreos. A federação local, contudo, não permitiu a participação, mantendo o músico na arquibancada enquanto Zico recebia homenagem no lado oposto do estádio.
Impacto cultural: a ponte entre esporte e arte
A presença de personalidades como Fagner em ambientes de alto rendimento reforça a sinergia comercial e midiática que o futebol começou a explorar já na década de 1980. No caso da Udinese, a parceria ajudou a atrair atenção para um clube fora do eixo Roma-Milão-Turim, ampliando receitas de marketing e venda de ingressos em jogos com o ídolo brasileiro.
Perspectiva futura
Quatro décadas depois, histórias como a de Fagner confirmam a relevância de Zico no processo de internacionalização do futebol brasileiro e apontam tendências atuais: clubes europeus seguem usando figuras públicas para ampliar alcance de marca, enquanto músicos incorporam o esporte em projetos multimídia. A expectativa é que, na esteira da Copa do Mundo de 2026, novas colaborações entre artistas e atletas ganhem força, mantendo vivo o legado dessa inusitada “dupla de ataque” formada por um camisa 10 lendário e um cantor centroavante nas horas vagas.
Com informações de ESPN Brasil