Riad (17/04/2026) – A Federação Saudita de Futebol demitiu o técnico francês Hervé Renard a menos de dois meses do início da Copa do Mundo de 2026, após duas derrotas na última Data FIFA (4 × 0 para o Egito e 2 × 1 para a Sérvia). A decisão amplia a “dança das cadeiras” que já atingiu Gana, Marrocos e Curaçao na reta final de preparação para o torneio.
Por que Renard caiu mesmo após a histórica vitória sobre a Argentina em 2022?
Apesar de ter comandado a surpreendente vitória saudita sobre a campeã Argentina na estreia da Copa do Catar, Renard deixou o cargo em 2023 para dirigir a seleção feminina da França nos Jogos Olímpicos de Paris. Retornou no fim daquele ano, mas não conseguiu repetir o desempenho defensivo que marcara sua primeira passagem.
Nos últimos 10 jogos da Arábia Saudita sob Renard desde o retorno, a equipe teve apenas 20 % de aproveitamento (2 V, 2 E, 6 D) e média de 1,9 gol sofrido por partida. O contraste com o ciclo anterior – 58 % de aproveitamento e 0,9 gol sofrido – fez a federação optar pela mudança.
Raio-X das seleções que trocaram de técnico em 2026
Arábia Saudita
– Técnico que saiu: Hervé Renard (francês, 55 anos)
– Campanha na Copa 2022: 3 pts, 1 V-0 E-2 D, saldo -2
– Próximo amistoso: 28/05 contra Uruguai
Gana
– Sai: Otto Addo (ganês-alemão, 50 anos)
– Entra: Carlos Queiroz (português, 73 anos), 5ª Copa consecutiva
– Motivo: goleadas para Áustria (0-3) e Alemanha (1-4) + eliminação na CAN 2025
Marrocos
– Sai: Walid Regragui (48 anos), 4º lugar em 2022
– Entra: Mohamed Ouahbi (belga-marroquino, 49 anos), campeão Mundial Sub-20 2025
– Motivo: desgaste interno e cobrança por estilo mais ofensivo
Curaçao
– Sai: Dick Advocaat (78 anos) por questões familiares
– Entra: Fred Rutten (holandês, 63 anos)
– Estreia em Copas; grupo C com Espanha e México
Impacto tático imediato para a Arábia Saudita
1. Sistema defensivo fragilizado: os sauditas sofreram 11 gols nos últimos cinco compromissos. Qualquer novo treinador precisará estabilizar a linha de quatro que hoje tem média inferior a 40 % de acerto em disputas aéreas segundo dados da AFC.
2. Falta de criação central: apenas 0,7 grande chance criada por jogo em 2026; a equipe depende excessivamente de transições rápidas pelos flancos, estratégia que Renard popularizou em 2022 mas que se tornou previsível.
Imagem: IMAGO
3. Calendário apertado: restam dois amistosos – Uruguai (28/05) e Japão (04/06) – antes da estreia no Mundial contra a Dinamarca em 13/06. O novo técnico terá, na prática, 180 minutos de jogo oficial para ajustar modelo de posse e pressão alta.
Como a mudança afeta o Grupo D da Copa
O Grupo D reúne Dinamarca, Colômbia, Coreia do Sul e Arábia Saudita. Dinamarqueses e sul-coreanos mantêm comissões técnicas estáveis há mais de quatro anos, enquanto a Colômbia trabalha com Néstor Lorenzo desde 2023. A troca saudita pode alterar o equilíbrio previsto pelo índice Elo da FIFA, que projetava a equipe asiática com 18 % de chance de avançar. A tendência é de queda nessas projeções até que o substituto seja anunciado e avaliado.
Outras trocas evidenciam tendência de risco zero
• Gana: aposta na experiência de Queiroz, especialista em montagem defensiva, para potencializar o trio de velocidade Kudus–Sulemana–Semede antes de enfrentar Inglaterra, Paraguai e Irã.
• Marrocos: promove técnico da base para manter continuidade de geração que atingiu semifinal da CAN Sub-23; transição deve priorizar posse curta e meia-pressão, diferente do 4-1-4-1 reativo de Regragui.
• Curaçao: muda mais por necessidade pessoal do que por performance (82 % de aproveitamento nas eliminatórias), mas perde a vasta experiência de Advocaat em grandes torneios.
Próximos passos: A Federação Saudita deve anunciar o sucessor de Renard até a próxima sexta-feira (24/04). Entre os nomes ventilados localmente estão Laurent Blanc e Ramón Díaz. O timing da escolha será decisivo para definir se a seleção chega competitiva à fase de grupos ou se confirmará o histórico de apenas uma classificação saudita às oitavas em seis participações.
Com as quatro mudanças confirmadas, 6,5 % das seleções mundialistas trocaram de treinador em 2026 – percentual similar a 2010 (7 %) e 2014 (6 %), mas superior a 2018 (4 %). O dado reforça a busca das federações por ajustes de última hora, mesmo assumindo o risco de curto prazo.
Conclusão prospectiva: A demissão de Hervé Renard potencializa uma corrida contra o relógio na Arábia Saudita e acende alerta em outras federações que enfrentam mau rendimento recente. Se o novo comandante conseguir solidificar a defesa e explorar a velocidade de Salem Al-Dawsari em poucos treinos, os asiáticos ainda podem surpreender. Caso contrário, o Grupo D tende a seguir o favoritismo dinamarquês e coreano, enquanto Gana, Marrocos e Curaçao testam seus novos projetos em cenário igualmente apertado. O desempenho nos amistosos de maio será termômetro-chave para medir o sucesso dessas apostas de última hora.
Com informações de Trivela