Paris – O Paris Saint-Germain encerrou a temporada 2024/25 com a conquista da Liga dos Campeões da UEFA, em 31 de maio de 2025, na Allianz Arena, tornando-se o primeiro clube francês a erguer a “Orelhuda” e a completar o Treble (Campeonato Francês, Copa da França e Champions) na mesma época. Sob o comando de Luis Enrique, a equipe goleou a Internazionale por 5 a 0 na final e cravou seu nome na história continental.
Por que o título é tão simbólico
Desde a aquisição pelo Qatar Sports Investments, em 2011, o PSG investiu cerca de € 2,28 bilhões em reforços e falhou repetidamente na Champions. A partir de 2024, a direção mudou o foco de estrelas para um elenco jovem e mais equilibrado. A saída gratuita de Mbappé para o Real Madrid foi o ponto de virada: sem um astro que centralizasse as atenções, Luis Enrique ganhou autonomia total para implantar seu modelo de posse agressiva, pressão alta e amplitude pelos lados.
O caminho até a taça europeia
• Fase de Liga: 4V – 1E – 3D, 14-9 de saldo. Classificação em 15.º lugar.
• Playoffs: Brest 0-3 e 0-7 (agregado 10-0).
• Mata-mata: Liverpool (Oitavas) – classificação nos pênaltis após 1-0/0-1;
Aston Villa (Quartas) – 3-1/2-3;
Arsenal (Semis) – 1-0/2-1;
Internazionale (Final) – 5-0.
O placar elástico na decisão foi a maior goleada já vista em finais de Champions desde 1956. A consistência defensiva (15 gols sofridos em 17 jogos) combinou com um ataque que distribuiu protagonismo: Dembélé (11 gols), Doué (16 participações diretas) e Kvaratskhelia (gol e assistência na final) dividiram holofotes.
Raio-X do elenco campeão
Donnarumma foi decisivo contra o Liverpool, mas terminou a época com 47 partidas e 59% de defesas; Hakimi empilhou 11 gols e 16 assistências pela direita; Vitinha liderou o passe-chave no meio (8 gols, 5 assistências). No setor ofensivo, Dembélé terminou como artilheiro da Ligue 1 (21 gols) e melhor jogador da Champions. Média de idade do time-base: 23 anos.
Impacto doméstico: hegemonia reafirmada
Na Ligue 1, o PSG somou 84 pontos em 34 rodadas (26V-6E-2D), maior ataque (92) e melhor defesa (35). A Copa da França veio com vitória por 3-0 sobre o Reims. O pacote triplo coloca o clube com 35 títulos nacionais e reforça a liderança de Marquinhos como atleta mais laureado da história parisiense (34 taças).
Imagem: Carl Recine
O que muda para 2025/26
A campanha no novo Mundial de Clubes — vice para o Chelsea — evidenciou a necessidade de mais profundidade defensiva, sobretudo após a expulsão simultânea de Pacho e Lucas Hernández contra o Bayern. Luis Enrique já sinalizou a busca por um goleiro que compacte a saída curta; Safonov, herói da Copa Intercontinental, largará na frente. A manutenção do bloco jovem (João Neves 20 a., Doué 20 a., Beraldo 21 a.) indica janela focada em ajustes finos, não em grandes nomes.
Projeção: PSG favorito ou alvo?
Com a tríplice coroa na bagagem, o PSG começa 2025/26 como cabeça de chave na Champions e candidato natural ao bicampeonato. O desafio será lidar com o status de equipe a ser batida e repetir a intensidade sem o elemento surpresa que marcou 2024/25. Estatisticamente, nenhum time francês defendeu o título europeu; caso Luis Enrique mantenha o controle de vestiário e o índice físico, o projeto de longo prazo — baseado em elenco jovem e perfil tático definido — coloca Paris novamente no centro do mapa europeu.
Conclusão: Ao transformar um grupo de talentos crus em um sistema coletivo, o PSG quebrou um dos últimos tabus do futebol francês. A próxima temporada testará a capacidade de manter foco e inovação diante de rivais que já estudam o “modelo Luis Enrique”. Se conseguir evoluir a partir do aprendizado no Mundial de Clubes, o clube do Parque dos Príncipes pode inaugurar uma era de dominação sustentada na Europa.
Com informações de Imortais do Futebol