Quem: Mostafa Mohamed, atacante do Nantes e da seleção egípcia. O quê: envolvimento em um caso de fraude acadêmica em 2022 e consolidação como peça tática útil no Egito. Quando: o episódio ocorreu durante a Copa Africana de Nações daquele ano, mas seus efeitos ainda ecoam na carreira. Onde: a fraude foi descoberta em Gizé (Egito); hoje o jogador atua na Ligue 1 francesa. Por quê: o caso expôs a ligação do centroavante com a realidade social do país e reforçou o seu perfil de “operário” em campo, valioso pela força física e não pelo brilho individual.
Do Zamalek ao Nantes: a evolução física do “Anaconda”
Formado no Zamalek, Mostafa Mohamed ganhou o apelido de “Anaconda” pela maneira como usa o corpo para envolver zagueiros e proteger a bola. Em 2021, a transferência para o Galatasaray marcou o primeiro teste fora do Egito. Foram 17 gols em 58 jogos, números que atestam utilidade, mas não protagonismo.
A passagem abriu portas para a Ligue 1. O Nantes o contratou inicialmente por empréstimo e, em 2023, exerceu a opção de compra por cerca de € 6 milhões. A liga francesa, recheada de duelos físicos, potencializa suas virtudes: jogo de costas, retenção de bola e disputa aérea.
Fraude acadêmica em 2022: o episódio que humanizou o atleta
Em plena semifinal da Copa Africana de Nações, um amigo de infância foi flagrado realizando provas no lugar do atacante no Instituto Superior de Gestão e Tecnologia de Gizé. A justificativa do impostor—“ele está representando o país”—viralizou. O episódio não comprometeu a carreira esportiva, mas trouxe à tona a rotina dupla do jogador entre futebol profissional e obrigações acadêmicas, reforçando a identificação do torcedor local com o atacante.
Função tática na seleção: o pivô de Hossam Hassan
No sistema atual do técnico Hossam Hassan, Mohamed alterna entre titularidade e banco, sempre com a mesma missão: servir de referência para o jogo direto. Em um elenco que conta com atacantes mais leves, ele oferece:
- Presença física para atrair zagueiros e criar espaço para Salah e companhia.
- Capacidade de segurar a bola em transições lentas, útil quando o Egito busca administrar vantagens.
- Arma aérea em bolas paradas ofensivas—fundamental em eliminatórias africanas, onde as dimensões dos gramados e a arbitragem favorecem duelos físicos.
Raio-X: os números de Mostafa Mohamed
Clubes
- Zamalek (2016-2020): 16 gols / 53 jogos*
- Galatasaray (2021-2022): 17 gols / 58 jogos
- Nantes (2022-atual): 17 gols / 63 jogos**
Seleção do Egito
Imagem: IMAGO
- 27 partidas oficiais
- 8 gols
*Inclui empréstimos internos na liga egípcia.
**Dados até junho de 2024, considerando todas as competições.
Impacto futuro: o que esperar nas Eliminatórias e na Copa de 2026
Com o Egito buscando voltar a uma Copa do Mundo, a figura de Mostafa Mohamed se torna ainda mais estratégica. Em partidas decisivas contra defesas robustas, seu perfil de pivô oferece a variação de jogo que a equipe carece quando Salah é marcado em bloco baixo. No Nantes, a permanência na Ligue 1 garante rodagem de alto nível até 2026, ano em que chegará à competição com 28 anos e potencial pico físico. O desenrolar das Eliminatórias indicará se ele permanecerá como titular ou arma pontual, mas, em ambos os cenários, a tendência é que siga sendo a válvula de escape que equilibra o sistema egípcio.
Conclusão: O caso de fraude acadêmica não manchou a carreira de Mostafa Mohamed; pelo contrário, reforçou sua imagem de jogador “da casa”, próximo da realidade de grande parte da torcida. Em campo, a combinação de força e disciplina tática continua valiosa tanto para o Nantes quanto para o Egito. Resta observar se, até 2026, ele conseguirá traduzir utilidade em cifras mais altas de gols, o que poderia elevá-lo de coadjuvante funcional a protagonista estatístico.
Com informações de Trivela