Vitória contra o Egito traz boa confirmação para Ancelotti, mas escancara deficiência da Seleção

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Quem: Seleção Brasileira de Carlo Ancelotti. O quê: vitória por 2 a 1 sobre o Egito. Quando: sábado, 6 de junho de 2026. Onde: Cleveland, EUA. Por quê: último teste antes da estreia na Copa do Mundo, que será em 13 de junho contra o Marrocos.

Pressão alta e mecanismos ofensivos: a confirmação que Ancelotti queria

O Brasil abriu o placar logo aos 6 minutos graças a uma recuperação em zona alta concluída por Bruno Guimarães. O lance sintetiza o principal ganho coletivo desde a chegada de Carlo Ancelotti: pressão coordenada na saída rival, seguida de ataques curtos e verticais. Contra o Egito, a Seleção finalizou 10 vezes dentro da área e registrou 58% de posse, mas — mais importante — transformou essa posse em Expected Goals (xG) de 2,1, segundo o departamento de análise da CBF.

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A movimentação entre volantes e pontas foi outro ponto positivo. Paquetá alternou altura com Bruno, Dani Oliveira ocupou a entrelinha e liberou Raphinha para diagonais por dentro, enquanto Douglas Santos avançou para dar amplitude esquerda. Essa fluidez rendeu 22 passes decisivos (último passe para finalização), contra 15 na goleada sobre o Panamá uma semana antes.

Transição defensiva: o calcanhar de aquiles persiste

Se o encaixe ofensivo evolui, a fase defensiva voltou a exibir vulnerabilidades conhecidas. O gol egípcio nasce de erro técnico de Marquinhos, mas o contexto é coletivo: 11 perdas de posse em construção curta que geraram 4 contra-ataques finalizados pelo adversário. Na Copa, seleções como Marrocos — próxima rival — lideram o ranking africano de gols em transição desde 2022 (37% dos tentos). Ou seja, o problema é estrutural, não episódico.

A recomposição pós-perda mostrou demora média de 7,4 segundos para recuperar a organização em bloco médio, segundo o GPS da comissão. O ideal estipulado por Ancelotti é abaixo de 6 segundos. Essa diferença de 1,4 s explica a aparência de “time esticado” quando o Egito quebrava a primeira linha.

Raio-X dos últimos amistosos pré-Mundial

  • Gols marcados: 8 (média 4,0)
  • Gols sofridos: 3 (média 1,5)
  • Finalizações sofridas em contra-ataque: 10
  • Erros individuais que resultaram em gol adversário: 2 (Danilo vs Panamá, Marquinhos vs Egito)
  • Recuperações no terço final: 17 (12 contra o Panamá, 5 contra o Egito)

O que muda para a estreia contra Marrocos?

Ancelotti indicou na coletiva que testará Casemiro como primeiro volante “puro”, recuando Bruno Guimarães para auxiliar a 1ª fase de construção e liberando Paquetá. A medida visa equilibrar cobertura central e diminuir as jogadas de velocidade rivais. Outra possível novidade é Militão pela direita, reforçando o duelo físico contra Hakim Ziyech.

No aspecto anímico, a vitória mantém a sequência positiva (quatro triunfos seguidos), mas o alerta defensivo servirá de combustível para sessões de vídeo e treinos fechados no quartel-general em New Jersey.

Conclusão prospectiva

A vitória em Cleveland consolida a identidade ofensiva construída nos últimos meses, porém destaca a última peça do quebra-cabeça: solidez sem a bola. Se Ancelotti ajustar a transição defensiva nos próximos sete dias, o Brasil chegará ao MetLife Stadium com candidatura real ao título. Caso contrário, o roteiro visto contra o Egito pode se repetir em fases eliminatórias, onde um único contra-ataque basta para mudar todo um torneio.

Com informações de Trivela

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