BUENOS AIRES (07.jun.2026) – A quatro dias do início da Copa do Mundo, o técnico Lionel Scaloni confirmou que “muitos jogadores não estão 100%” e protela qualquer corte até a próxima terça-feira. Após vencer Honduras por 2 a 0 no penúltimo amistoso de preparação, a seleção argentina acumula pelo menos oito atletas com restrições físicas, incluindo nomes-chave como Emiliano Martínez, Leandro Paredes e Lionel Messi.
Por que o departamento médico virou protagonista?
Desde a conquista no Catar, a Argentina manteve a base campeã, mas a temporada 2025/26 foi longa para boa parte do elenco. Jogadores que atuam em ligas europeias, como Nahuel Molina (Atlético de Madrid) e Gonzalo Montiel (Nottingham Forest), chegaram para a Data-FIFA já carregando minutos acima da média anual. Somado a isso, o calendário sul-americano impôs viagens extensas nos amistosos nos Estados Unidos e, agora, no Alabama, onde a equipe encara a Islândia na próxima terça (9).
Raio-X das baixas argentinas
Quem ficou fora até do banco contra Honduras
- Gonzalo Montiel – lesão no quadríceps
- Nahuel Molina – lesão na coxa
- Nico Paz – contusão no joelho esquerdo
- Leandro Paredes – distensão no isquiotibial
- Emiliano “Dibu” Martínez – fratura no dedo anelar
- Julián Álvarez – entorse no tornozelo (recém-liberado, mas poupado)
Relacionados, mas poupados
- Lionel Messi – sobrecarga associada à fadiga na posterior da coxa
- Nico González – desconforto muscular
Já cortado
- Leonardo Balerdi – lesão na panturrilha direita
Setores mais afetados e impacto tático imediato
Lateral direita – Único setor sem jogador 100% apto hoje. Montiel e Molina foram as opções durante todo o ciclo e compartilham 85% dos minutos da posição pós-Catar. A convocação emergencial de Agustín Giay (San Lorenzo) e Nicolás Capaldo (RB Salzburg) oferece reposição, mas com pouca rodagem em nível A. A ausência dos titulares altera o balanço defensivo, já que Molina é peça-chave na amplitude ofensiva, enquanto Montiel costuma fechar como terceiro zagueiro na fase de construção.
Zaga – O corte de Balerdi deixa o grupo com quatro centrais: Cristian Romero, Lisandro Martínez, Nicolás Otamendi e Germán Pezzella. Em condições normais, é suficiente, mas qualquer contratempo forçará improviso, sobretudo se Scaloni optar por linha de três, variação usada em 17% dos jogos desde 2023.
Meio-campo – Sem Paredes, a função de primeiro volante cai para Enzo Fernández ou Guido Rodríguez. Ambos entregam volume defensivo, porém Paredes tem a maior média de passes progressivos da equipe (6,8 por 90 minutos nas Eliminatórias). A construção baixa pode perder qualidade se ele não se recuperar.
Ataque – Messi, poupado, e Julián Álvarez, recém-liberado, concentram 41% dos gols da seleção pós-Catar. A comissão técnica monitora a carga para evitar sobrecarga na reta final.
Imagem: Imago
Como fica a preparação até a estreia contra a Argélia
Scaloni deixou claro que definirá a lista final após o amistoso diante da Islândia, no Alabama. A FIFA permite substituições por lesão até 24 horas antes do primeiro jogo, em 16 de junho, contra a Argélia, em Nova Jersey.
Do ponto de vista competitivo, o Grupo J tende a ser equilibrado em transições rápidas – estilo predominante de Áustria e Jordânia – o que exige laterais saudáveis para cobrir amplitude defensiva. Caso os problemas persistam, a Argentina pode recorrer a um 3-5-2, formato testado brevemente contra o Peru nas Eliminatórias, com Romero, Otamendi e Lisandro na linha de três e Ángel Di María abrindo o corredor direito.
Perspectiva estatística: a experiência pesa
Mesmo com as lesões, o elenco atual soma 1.128 jogos por seleções de base e principal, mantendo a terceira maior média de experiência do Mundial, atrás apenas de França e Inglaterra. Essa bagagem reduz o tempo de adaptação para eventuais substitutos de última hora.
O que observar nos próximos dias
• Recuperação de Molina e Montiel – o aquecimento pré-jogo contra a Islândia será o primeiro teste em alta intensidade.
• Exames de Paredes – o isquiotibial costuma exigir ao menos 10 dias; se não treinar com bola até domingo, a probabilidade de corte sobe.
• Condição de Messi – apesar do otimismo interno, a dosagem de minutos indicará o nível real de confiança no capitão.
Conclusão prospectiva: a campeã mundial de 2022 chega ao Mundial de 2026 com mais dúvidas físicas do que na última edição, mas mantém coesão tática e profundidade em posições-chave. A definição da lateral direita nas próximas 48 horas será decisiva para entender se a Argentina começará o torneio com seu desenho habitual ou se precisará reinventar micro-ajustes de última hora. A evolução clínica dos nomes citados ditará o tom dos treinos em Birmingham e, consequentemente, o grau de favoritismo diante da Argélia na estreia.
Com informações de Trivela