Quem: o jornalista britânico Tim Vickery.
O quê: analisou, em coluna publicada nesta segunda-feira (08/06/2026), por que a Copa do Mundo segue despertando encantamento apesar das sucessivas polêmicas.
Quando: às 13h (horário de Brasília) de 8 de junho de 2026.
Onde: portal Trivela.
Por quê: Vickery usa o exemplo do Paraguai, classificado após 16 anos fora do Mundial, para mostrar como o torneio ainda conecta jogadores e torcedores à infância e à ideia de representar um país.
O apelo emocional ainda vence o ceticismo
Tim Vickery parte de um pedido de Gustavo Alfaro aos atletas paraguaios nas Eliminatórias sul-americanas: “reencontrem o menino que sonhava em jogar uma Copa”. O método funcionou e o Paraguai, ausente desde 2010, carimbou o passaporte para 2026. Para o analista, esse é o retrato de um magnetismo que sobrevive a ingressos caros, calendários exaustivos e embates políticos que envolvem FIFA, países-sede e patrocinadores.
Polêmicas crônicas não tiram a força do símbolo
De acordo com o jornalista, discutir a Copa sempre envolverá temas sensíveis—do alto custo ao torcedor às questões ambientais—porque reunir nações é, por definição, um ato político. Ainda assim, o caráter de representatividade nacional cria uma camada que a Champions League ou os grandes clubes, regidos pelo mercado, não conseguem replicar.
Raio-X da relação torcida–Mundial
1. Participação global: a FIFA estima que 5 bilhões de pessoas tiveram algum contato com a Copa de 2022, recorde de alcance multiplataforma.
2. Economia do evento: o tíquete médio para a fase de grupos em 2022 foi de US$ 105. Em 2026, especialistas projetam inflação de 15% nesses valores pelo formato ampliado.
3. Calendário & saúde do atleta: em 2023, a FIFPro apontou aumento de 11% em minutos disputados por jogadores de elite na comparação com 2019, agravando a discussão sobre exaustão física.
4. Paraguai de volta: a seleção albirroja terminou as Eliminatórias 2026 na 6.ª colocação da Conmebol, último posto direto, com média de 1,2 gol sofrido por jogo—queda de 23% em relação ao ciclo 2022.
O impacto futuro da expansão para 48 seleções
A Copa de 2026 será a primeira com 48 participantes, elevando de 64 para 104 o número de partidas. Isso amplia a vitrine para países emergentes e, ao mesmo tempo, reforça críticas sobre saturação do calendário. A Conmebol, por exemplo, deverá ter no mínimo sete representantes, potencializando a disputa regional, mas também exigindo adaptações logísticas em sedes espalhadas por Canadá, México e Estados Unidos.
Imagem: IMAGO
Perspectiva final: se a Copa do Mundo concentra problemas estruturais do futebol—de governança a sustentabilidade—ela também continua sendo, como indica Tim Vickery, o palco onde profissionais e fãs relembram o primeiro contato lúdico com a bola. A edição de 2026 testará esse equilíbrio: mais jogos, mais seleções e o mesmo desafio de preservar a magia que faz o Mundial resistir ao tempo. Os próximos meses de preparação mostrarão se o aumento de escala reforçará ou diluirá essa pureza que ainda move grandes e pequenos torcedores.
Com informações de Trivela