Nova Jersey (EUA), 16/06/2026 – O atacante Iliman Ndiaye, de 26 anos, hoje no Everton, afirmou que a seleção francesa “nunca o fez sonhar” e confirmou que defenderá o Senegal no confronto contra a França nesta terça-feira (16), às 16h de Brasília, pela primeira rodada do Grupo I da Copa do Mundo nos Estados Unidos, Canadá e México. Nascido em Rouen, filho de mãe francesa e pai senegalês, o jogador explica que a ligação familiar e o impacto do histórico triunfo senegalês em 2002 foram decisivos para a escolha.
Da infância em Rouen ao símbolo de 2002: o “porquê” da decisão
Ndiaye nasceu dois anos após o título mundial francês de 1998 e cresceu vendo Zinedine Zidane conquistar a Euro 2000. Ainda assim, conta que a vitória de Senegal sobre a França (1 × 0) no jogo de abertura da Copa 2002 marcou sua imaginação. Mesmo revendo a partida apenas em gravações, o atacante relata que “é sempre a mesma emoção”.
O sentimento ganhou força quando, já atleta das categorias de base do Rouen Sapins, visitou o Stade de France para assistir a Les Bleus: “Foi especial, mas entendi que aquela camisa não era a minha história”, recorda, em entrevista ao L’Équipe.
Trajetória até a Premier League e a consolidação na seleção
Formado em clubes franceses – Rouen Sapins e Olympique de Marseille – Ndiaye mudou-se cedo para a Inglaterra, onde ganhou projeção no Sheffield United. Em 2022, foi convocado pela primeira vez por Aliou Cissé e atuou no Mundial do Catar, entrando como titular na vitória sobre o Equador (2 × 1) e na eliminação diante da Inglaterra.
Após uma temporada de adaptação no Marseille (2023/24), chegou ao Everton em 2024/25 e manteve-se peça frequente nas listas de Cissé. Em janeiro de 2026, integrou o elenco campeão em campo da Copa Africana de Nações (CAN), apesar da posterior perda do título nos tribunais, reforçando seu status de referência ofensiva dos Leões de Teranga.
Raio-X de Iliman Ndiaye
- Idade: 26 anos (06/03/2000)
- Posição: Atacante móvel (pode atuar como meia-ofensivo)
- Altura/Peso: 1,79 m / 70 kg
- Clubes profissionais: Boreham Wood-ING, Sheffield United-ING, Olympique de Marseille-FRA, Everton-ING
- Destaques estatísticos:
• 2022/23 – Championship: 14 gols e 10 assistências em 46 jogos (Sheffield)
• 2023/24 – Ligue 1: 3 gols e 2 assistências em 30 jogos (Marseille)
• 2024/25 – Premier League: participou de 28 partidas; dados completos da última temporada ainda não divulgados oficialmente - Seleção senegalesa: Estreia em 2022; 18 jogos, 3 gols (até maio/2026)
Impacto tático para Senegal no Grupo I
Aliou Cissé utiliza predominantemente o 4-2-3-1. Ndiaye costuma iniciar pela faixa central, atrás do centroavante ou como falso ponta pela direita, aproveitando sua condução curta e boa leitura de espaços. Contra a França de Didier Deschamps, a tendência é que o camisa 15 seja acionado para:
Imagem: IMAGO
- Pressão alta sobre os volantes franceses, dificultando a saída de bola de Aurélien Tchouaméni ou Eduardo Camavinga;
- Transições rápidas ao lado de Sadio Mané, explorando a linha defensiva adiantada dos Bleus;
- Criação entrelinhas, posicionando-se nas costas de Antoine Griezmann, responsável pelo primeiro combate defensivo francês.
O que muda para a França e o grupo mais equilibrado do Mundial
No cenário de Deschamps, perder Ndiaye para Senegal reduz as opções de profundidade ofensiva nos Bleus – o atacante poderia ser alternativa a Kingsley Coman ou Randal Kolo Muani. Já para Senegal, a presença de um atleta ambientado à Premier League eleva o nível de intensidade na faixa de intermediária ofensiva, ponto crítico para enfrentar uma França que sofreu apenas 9 gols nas Eliminatórias Europeias.
Além da rivalidade histórica, Noruega de Erling Haaland e Iraque compõem um agrupamento descrito pela FIFA Analytics como o segundo mais forte em índice ELO médio entre os oito grupos. Cada ponto conquistado ganha peso extra na projeção das oitavas de final.
Conclusão prospectiva
A decisão de Iliman Ndiaye reafirma a identidade multicultural do futebol contemporâneo e adiciona um componente emocional ao reencontro entre Senegal e França. Se repetir o feito de 2002 ou mesmo igualar a semifinal marroquina de 2022, os Leões de Teranga dependerão, em boa parte, da capacidade do atacante em conectar o meio-campo à finalização. A atuação desta terça-feira servirá não apenas como termômetro para o restante do Grupo I, mas também como indicativo de até onde o atual campeão africano pode chegar nos gramados norte-americanos.
Com informações de Trivela