Doha (Catar), 17/06/2026 – Harry Kane marcou duas vezes na vitória da Inglaterra por 4 × 2 sobre a Croácia, na estreia britânica na Copa do Mundo, e alcançou 10 gols no torneio, igualando Gary Lineker como maior goleador inglês em Mundiais.
Um começo de Copa com marca histórica
O capitão inglês converteu pênalti aos 12 minutos e voltou a balançar a rede aos 42, recolocando a equipe na frente depois do empate croata com Martin Baturina. Na etapa final, Jude Bellingham e Marcus Rashford ampliaram, selando os primeiros três pontos do Grupo E. O feito de Kane ganha ainda mais relevo porque, apenas 24 horas antes, Lionel Messi fizera um hat-trick pela Argentina e Kylian Mbappé marcara duas vezes pela França, estabelecendo desde cedo a régua de desempenho para as grandes estrelas do torneio.
Por que o recorde importa além do símbolo
O número 9 do Bayern de Munique havia sido Chuteira de Ouro em 2018 (seis gols) e, agora, iguala Lineker com menos jogos disputados (18, contra 12 do camisa 10 de 1986–1990). O índice de 0,56 gol por partida o coloca na quarta posição do ranking de melhor média entre jogadores com pelo menos 10 tentos em Copas desde 1970, atrás apenas de Gerd Müller (0,79), Ronaldo (0,65) e Miroslav Klose (0,58).
Em termos práticos, a confiança do camisa 9 alimenta a principal aposta de Thomas Tuchel: um modelo mais agressivo do que a versão de Gareth Southgate em 2022. Naquele ciclo, a Inglaterra caiu para a França nas quartas de final, finalizando 16 vezes mas marcando apenas uma vez em bola rolando. O novo sistema, no 4-2-3-1, coloca Kane menos distante do gol e com dois apoiadores (Bellingham centralizado, Foden à esquerda) próximos para acelerar combinações curtas, jogada que originou o segundo gol.
Raio-X tático e estatístico da vitória
- Posse de bola: 58% – maior controle inglês em aberturas de Copa desde 2010.
- Finalizações: 17 (9 no alvo) contra 9 (4) da Croácia.
- Pressão pós-perda: índice de 7,4 segundos para retomar a bola, segundo dados da FIFA, o mais baixo do dia.
- Defesa exposta: John Stones, titular, completou apenas 1.142 minutos pelo Manchester City em 2025/26; errou 3 dos 7 passes progressivos e perdeu dois duelos aéreos, reflexo da falta de ritmo.
Onde ainda preocupa: a linha de zaga
Apesar do resultado elástico, os Três Leões sofreram 10 cruzamentos em bola parada e concederam oito finalizações dentro da própria área – números superiores aos de qualquer jogo da equipe nas Eliminatórias Europeias. A comissão técnica estuda o retorno de Marc Guéhi, zagueiro do Crystal Palace, para aumentar a mobilidade defensiva contra Gana em 23 de junho. A seleção africana costuma atacar com dois pontas velocistas, exigindo coberturas diagonais rápidas, fraqueza exposta nos 36 minutos de empate croata.
Comparação com as outras potências
Se Messi (3 gols), Mbappé (2) e Haaland (2) já assumiram protagonismo por Argentina, França e Noruega, o recorde de Kane recoloca a Inglaterra no mesmo patamar de expectativa ofensiva. Uma projeção conservadora, baseada na média histórica de artilheiros em torneios de 32 seleções, aponta que 7–8 gols devem bastar para a Chuteira de Ouro. Com dois em 90 minutos, o camisa 9 inglês alcança 25% da meta ainda na fase de grupos.
Imagem: IMAGO
Próximos capítulos: Gana e a corrida pela liderança
A Inglaterra lidera momentaneamente o grupo pelo saldo de gols (+2). Se confirmar vitória sobre Gana, pode chegar à última rodada contra o Iraque precisando apenas de um empate para garantir a ponta. Em cenários de mata-mata, terminar em primeiro evitaria um confronto imediato com o vencedor do Grupo F, que hoje tem Argentina como favorita.
Conclusão prospectiva: os 10 gols de Harry Kane não são apenas um recorde estatístico; são termômetro de que a seleção inglesa pode, enfim, alinhar talento ofensivo a um plano de jogo proativo. Se a defesa encontrar equilíbrio até as oitavas, a combinação de artilheiro em estado de graça e meio-campo criativo torna os Três Leões candidatos reais às semifinais, objetivo não alcançado desde 2018.
Com informações de Trivela