Acelerado e passivo: Brasil tem pior jogo da era Ancelotti e cai na Copa ‘odiando’ a bola

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Rio de Janeiro, 05/07/2026 – A Seleção Brasileira foi eliminada da Copa do Mundo ao perder por 2 a 1 para a Noruega, neste domingo (5), no Estádio Olímpico de Montreal. O revés confirmou a pior campanha do Brasil em um Mundial desde 1990 e representou, estatisticamente, o jogo mais frágil da equipe comandada por Carlo Ancelotti desde que o italiano assumiu o cargo.

De 68% para 35%: a virada na posse de bola

Quatro dias antes, contra o Japão, o Brasil registrara 68% de posse. Diante da Noruega, esse número caiu para 35% na primeira etapa. A mudança não decorreu apenas de estratégia norueguesa, mas de uma postura brasileira excessivamente reativa: linhas baixas, bloco compacto, pouca circulação de bola e busca imediata por transições aceleradas.

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Na prática, o 4-3-3 de Ancelotti manteve a estrutura, mas Gabriel Martinelli entrou no lugar de Lucas Paquetá, alterando o peso criativo no meio-campo. Sem Paquetá, a equipe perdeu seu principal passador entrelinhas, fator que contribuiu para a queda na retenção.

O plano que não encaixou

O Brasil tentou explorar a lentidão da defesa norueguesa apostando na velocidade de Vinicius Júnior, Rayan e Matheus Cunha. No entanto, faltou critério: muitos lances de 1 x 3 ou 1 x 4 deixaram Vinicius isolado, e nenhuma chance clara surgiu dessas transições.

As melhores oportunidade nasceram na pressão pós-perda, marca registrada do ciclo recente. Foi assim que:

  • Bruno Guimarães sofreu pênalti (defendido) após desarme de Rayan em Antonio Nusa;
  • Vinicius recuperou a bola, tabelou com Martinelli e finalizou para defesa de Nyland;
  • Endrick desperdiçou lance cara a cara, novamente em acionamento de Vini.

Raio-X da eliminação

Posse de bola: Noruega 65% x 35% Brasil (1º tempo)
Finalizações: Noruega 10 (5 no alvo) x 8 (3 no alvo) Brasil
Expectativa de Gols (xG): Noruega 1,8 x 1,3 Brasil
Cruzamentos: Noruega 11 x 9 Brasil
Altura média norueguesa: 1,88 m – explorada no primeiro gol, cabeçada de Erling Haaland sobre Gabriel Magalhães.

Por que Haaland decidiu

Historicamente, a Noruega não utiliza volume alto de bolas aéreas, mas a leitura de jogo de Andreas Schjelderup encontrou Haaland duas vezes:

  1. 29’ do 2ºT – cruzamento em meio às linhas, Haaland ganha de Gabriel Magalhães no tempo de impulsão; 1 x 0.
  2. 37’ do 2ºT – transição rápida pelo corredor esquerdo, passe em profundidade de Schjelderup; 2 x 0.

O gol brasileiro, nos acréscimos, veio em escanteio convertido por Rodrygo, insuficiente para alterar o panorama.

Impacto imediato e projeção até 2030

Com a queda, o Brasil encerra a Copa 2026 sem atingir as quartas de final pela primeira vez em 36 anos. O ciclo até 2030 começa com questões claras:

  • Modelo de jogo: a alternância entre posse alta e transição precisa de parâmetros; hoje, não há identidade consistente.
  • Construção por dentro: a ausência de um meia articulador evidenciou carência criativa – discussão que recoloca Paquetá, Pablo Maia e até jovens da base em cenário de disputa.
  • Equilíbrio defensivo: o encaixe de Gabriel Magalhães e Militão contra atacantes físicos reforça a necessidade de treinamento específico e, talvez, de perfil diferente para duelos aéreos.

Próximos passos: a CBF já confirmou amistosos em setembro contra Espanha e Costa do Marfim. A expectativa é testar novos nomes no meio-campo e avaliar se Ancelotti ajustará o ritmo de posse como prioridade.

Ficou claro que a eliminação não decorreu de um único detalhe, mas de um conjunto de escolhas táticas que deixaram o Brasil “odiando” a bola, dominado em posse e pouco eficiente nas transições. A resposta nos amistosos de setembro indicará se a Seleção transformará a queda em ponto de virada ou em início de reformulação mais profunda.

Com informações de Trivela

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