Jogos Eternos – França 1×0 Paraguai 1998 – Imortais Do Futebol

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Lens (França), 28 de junho de 1998 – Sob pressão máxima diante de 31.800 torcedores no Stade Bollaert-Delelis, a seleção francesa superou o Paraguai por 1-0 graças ao primeiro Gol de Ouro da história das Copas, marcado pelo zagueiro Laurent Blanc aos 114 minutos, e avançou às quartas de final do Mundial de 1998.

Por que a partida entrou para a história

A FIFA adotara a regra do Gol de Ouro em 1993 com o objetivo de incentivar o jogo ofensivo e diminuir disputas de pênaltis. Nas oitavas de 1998, a anfitriã França encontrou justamente a seleção mais difícil de furar: um Paraguai que terminou a fase de grupos invicto e contava com a liderança técnica de José Luis Chilavert e a impecável campanha disciplinar de Carlos Gamarra, que concluiria o torneio sem cometer nenhuma falta.

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O duelo tornou-se icônico por três motivos centrais:

  • Primeiro jogo de Copa decidido por Gol de Ouro.
  • Maior sufoco vivido pela França em toda a campanha do título.
  • Consolidação de Gamarra como melhor zagueiro do torneio, mesmo na derrota.

Como jogaram: sistemas de Jacquet e Carpegiani

França (4-2-3-1 flexível): Barthez; Thuram, Desailly, Blanc, Lizarazu; Petit, Deschamps; Henry (Pires), Djorkaeff, Diomède (Guivarc’h); Trezeguet. Sem o suspenso Zidane, Aimé Jacquet manteve dois volantes para dar liberdade ao trio móvel atrás de Trezeguet. O objetivo era amplitude com Henry e Diomède e infiltrações de Djorkaeff entre as linhas.

Paraguai (3-5-2/5-3-2): Chilavert; Sarabia, Gamarra, Ayala; Arce, Enciso, Acuña, Paredes (Caniza), Campos (Yegros); Cardozo (Rojas), Benítez. Paulo César Carpegiani montou um bloco baixo, com Arce recomposto como ala e saídas rápidas para Cardozo. A linha de cinco virava trio quando o time atacava, mas a prioridade era fechar o corredor central.

Duelo individual: Trezeguet vs. Gamarra

O centroavante francês finalizou cinco vezes, mas só escapou de Gamarra no lance decisivo. Até então, o zagueiro somava 10 cortes, 6 interceptações e 100% de aproveitamento nos duelos aéreos. Quando a exaustão bateu – Gamarra jogava com proteção após lesão na clavícula – Trezeguet conseguiu ganhar a primeira bola dentro da área e assistiu Blanc para definir o embate.

Raio-X estatístico

  • Finalizações: França 27 x 8 Paraguai
  • Chutes no alvo: França 11 x 3 Paraguai
  • Posse de bola: 63% França
  • Defesas de goleiro: Chilavert 10 | Barthez 3
  • Faltas cometidas: França 18 | Paraguai 26 (nenhuma de Gamarra)
  • Cartões: 2 amarelos França | 3 amarelos Paraguai

Impacto imediato na Copa de 1998

O gol salvador aliviou o caminho francês, mas expôs um ponto de atenção: sem Zidane, a criação ficou concentrada em Djorkaeff, facilmente vigiado por Enciso. Jacquet reagiu reforçando a rotação ofensiva no jogo seguinte contra a Itália, quando Zidane retornou e a França sobreviveu nos pênaltis. Do lado paraguaio, a campanha reafirmou o país como força defensiva mundial; o Albirroja voltaria às oitavas em 2002 e chegaria às quartas em 2010.

Legado tático

A vitória reforçou a máxima de que posse de bola alta não garante gols se faltar ruptura entrelinhas. A França só quebrou o cerco quando deslocou Blanc para o ataque, criando superioridade inesperada. Já o Paraguai evidenciou o valor de um bloco de cinco defensores compactos, esquema que seria replicado por diversas seleções sul-americanas nas décadas seguintes.

O que veio depois

Depois de Lens, os Bleus eliminaram Itália (pênaltis), Croácia (2-1) e Brasil (3-0), levantando sua primeira taça mundial. Dois anos depois, a França voltaria a triunfar com Gol de Ouro – desta vez com Trezeguet na final da Euro 2000. A FIFA abandonou a regra em 2004, mas para os franceses ela permanece símbolo de resiliência; para os paraguaios, um “e se” que ainda ecoa nas memórias de Carpegiani e Gamarra.

Próximos desdobramentos: A Copa de 2026 colocará novamente França e Paraguai frente a frente nas oitavas. Sem Chilavert ou Gamarra, mas com um Paraguai confiante após eliminar a Alemanha nos pênaltis, o duelo testará a geração de Mbappé contra um modelo defensivo que, desde 1998, virou parte do DNA albirrojo. A história sugere sofrimento francês; os números atuais indicam favoritismo europeu. O reencontro promete, no mínimo, repetir a tensão de 28 anos atrás.

Com informações de Imortais do Futebol

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