Bragança Paulista – A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou que não divulgará o áudio da cabine do VAR relacionado à expulsão de Walter Kannemann, ocorrida no primeiro tempo da derrota do Grêmio para o Red Bull Bragantino no último sábado (4). Segundo a entidade, o árbitro Lucas Casagrande não realizou a revisão no monitor à beira do gramado, o que, pelo protocolo atual, inviabiliza a publicação da conversa entre campo e vídeo.
Por que o áudio não será liberado?
A CBF adota, desde 2022, a linha de tornar públicos apenas os diálogos que envolvem On Field Review (OFR) — quando o juiz de campo é chamado para checar o lance no monitor. Como Casagrande aplicou o cartão vermelho direto a Kannemann sem recorrer à revisão, o material sonoro permanece arquivado. A decisão suscita questionamentos sobre transparência, já que outros torneios, como a Premier League, começaram a liberar trechos de áudio mesmo sem OFR em casos de alta repercussão.
Impacto imediato na partida
Com um atleta a menos desde a metade da etapa inicial, o Grêmio precisou recuar as linhas, cedeu 61% de posse de bola ao Bragantino e finalizou apenas duas vezes até o intervalo. O time gaúcho terminou derrotado e vê sua sequência fora de casa se complicar justamente em um momento de disputa direta por G-4 na tabela do Brasileirão.
Raio-X disciplinar de Walter Kannemann
- Estilo de jogo: zagueiro de marcação agressiva, com média superior a 2,0 faltas cometidas por partida na Série A 2024, segundo dados de plataformas de análise de desempenho.
- Cartões na temporada 2024: 8 amarelos e 1 vermelho (o aplicado em Bragança Paulista).
- Histórico no Grêmio: desde 2016, o argentino soma vários cartões vermelhos, característica que o tornou um dos jogadores mais advertidos do elenco.
Esse perfil disciplinar ajuda a explicar por que lances envolvendo o defensor costumam gerar interpretações rigorosas da arbitragem, embora especialistas considerem o episódio de sábado como, no mínimo, questionável.
Repercussão e próximos passos
Nas redes sociais, a hashtag #VARdaVergonha ficou entre os assuntos mais comentados, refletindo a indignação de torcedores, dirigentes e ex-jogadores. Internamente, o Grêmio elabora ofício à CBF solicitando acesso ao material para avaliação técnica. Do lado da entidade, a tendência é manter a aplicação literal do protocolo, mas o tema deve voltar à pauta da Comissão de Arbitragem em sua próxima reunião, em meio à pressão pela adoção de um modelo de transparência ampliada.
Imagem: Divulgação
O que pode acontecer daqui para frente?
Com Kannemann suspenso, o Grêmio deve testar a dupla Bruno Alves–Rodrigo Ely no jogo seguinte, solução que altera a saída de bola pela esquerda — função habitualmente comandada pelo argentino. Paralelamente, qualquer eventual mudança de protocolo da CBF impactará futuros lances sem OFR, podendo criar nova jurisprudência sobre divulgação de áudios mesmo em expulsões diretas.
Conclusão: A negativa da CBF em liberar o áudio sustenta o debate sobre transparência e padronização do VAR no Brasil. Para o Grêmio, o caso significa perda momentânea de um dos pilares defensivos e coloca ainda mais atenção na atuação da arbitragem nos próximos compromissos, fator que pode influenciar diretamente a luta do clube por vagas na Libertadores.
Com informações de Portal do Gremista