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    O que a rodada do Brasileirão mostrou sobre a arbitragem brasileira no futebol

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    Bragança Paulista, 06/10/2025 – A derrota do Grêmio por 2 × 0 para o Red Bull Bragantino, no Nabi Abi Chedid, ganhou contornos extra-campo quando o árbitro Lucas Casagrande, auxiliado pelo VAR de Gilberto Castro Júnior, assinalou pênalti e expulsou o zagueiro Kannemann. O episódio, ocorrido no domingo (5), relançou a discussão sobre a fragilidade estrutural da arbitragem no futebol brasileiro, tema que a cada rodada volta à pauta de clubes, torcedores e da própria CBF.

    O que aconteceu em Bragança Paulista

    O lance capital ocorreu aos 32 minutos do segundo tempo: Casagrande marcou toque de mão de Kannemann dentro da área. Após revisão no vídeo, a decisão foi mantida e o defensor argentino recebeu o cartão vermelho direto. O Bragantino converteu a cobrança, abriu o placar e administrou a vantagem até o fim.

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    Logo após o apito final, jogadores e dirigentes gremistas anunciaram que irão formalizar reclamação na CBF, alegando que o árbitro ignorou o movimento natural do braço do zagueiro. A comissão de arbitragem indicou que analisará o caso internamente, mas não anunciou, até o momento, punições ou afastamentos.

    Ciclo de críticas que se repete

    Reclamações públicas, notas oficiais de clubes e eventuais afastamentos temporários são parte de um roteiro conhecido no Brasileirão. Desde o início da temporada 2025, 16 das 20 equipes da Série A já protocolaram ao menos uma queixa formal contra decisões de campo ou de vídeo, segundo levantamento da redação de “Isso é Futebol” a partir das súmulas publicadas pela CBF.

    O padrão de reincidência sugere que a raiz do problema é mais profunda do que a avaliação de um único lance: trata-se da ausência de profissionalização plena dos árbitros, que seguem atuando como autônomos sem vínculo empregatício e, muitas vezes, conciliam a função com outras ocupações.

    Realidade financeira e jornada dupla dos árbitros

    O caso de Felipe Alves de Lima, apitador de Corinthians × Mirassol no sábado (4) e que desmaiou no dia seguinte durante partida amadora em Brumadinho (MG), expôs a sobrecarga a que esses profissionais estão submetidos. Com remuneração de cerca de R$ 5,2 mil por jogo na Série A, muitos árbitros buscam partidas paralelas em ligas locais para complementar rendimento.

    O resultado é desgaste físico, deslocamentos constantes e menor tempo para estudo de regras, preparação física e análise de vídeos — bases exigidas em ligas que adotaram arbitragem profissional, como Premier League e La Liga.

    Raio-X da arbitragem brasileira em 2025

    • Quadro nacional: 119 árbitros FIFA/Nacionais aptos para a Série A segundo a CBF.
    • Média de jogos por árbitro: 2,7 partidas/mês na elite; alguns chegam a 5 quando consideramos copas estaduais.
    • Intervenções do VAR: 64 revisões de pênalti nas 25 primeiras rodadas desta temporada.
    • Punições: 14 afastamentos temporários anunciados pela Comissão de Arbitragem (média de 0,56 por rodada).
    • Custos: cerca de R$ 50 mil por partida apenas com a operação de vídeo, sem incluir equipe de campo.

    Impacto futuro: pressão por mudanças estruturais

    A manifestação gremista tende a intensificar o lobby dos clubes por um modelo profissional, similar ao adotado no Campeonato Inglês, que prevê contratos anuais, dedicação exclusiva e centros de treinamento específicos para árbitros. A expectativa é de que o tema entre na pauta do próximo Conselho Técnico da Série A, agendado para novembro.

    Se a CBF avançar na criação de um quadro profissionalizado, os próximos passos incluem definir fonte de custeio — direitos de transmissão, porcentagem de bilheteria ou fundo central — e calendário de capacitação permanente. Até lá, a tendência é de que erros, revoltas e afastamentos continuem compondo o noticiário de cada rodada.

    Conclusão – O episódio em Bragança Paulista reforça que a discussão ultrapassa um pênalti mal marcado: trata-se de um sistema baseado em amadorismo remunerado, incompatível com um campeonato que movimenta bilhões de reais por temporada. Resta saber se a pressão coletiva dos clubes na reta final de 2025 finalmente desencadeará decisões concretas ou se o futebol brasileiro seguirá vivendo o mesmo ciclo de polêmicas em 2026.

    Com informações de Portal do Gremista

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