Porto Alegre (RS), 6.out.2025 — A Comissão Eleitoral do Grêmio acatou, nesta semana, recurso da Chapa 6 “Grêmio Forte e Copeiro” e, por unanimidade, determinou nova distribuição das vagas no Conselho Deliberativo. A medida aplica o Art. 57, §3º, III do Estatuto, que impede qualquer chapa de ficar com mais de 70% das cadeiras, salvo se atingir a mesma proporção de votos válidos, o que não ocorreu na eleição de 27 de setembro.
O que mudou na prática
Antes da decisão, a Chapa 2 — encabeçada por Celso Rigo e Marcelo Marques — havia conquistado 80% das 150 vagas de conselheiro titular, superando o limite estatutário. Com a retificação, a distribuição ficou assim:
- Chapa 2: 105 titulares + 21 suplentes
- Chapa 6: 45 titulares + 9 suplentes
A Chapa 1 “Identidade Gremista” também entrou com pedido, mas não atingiu a cláusula de barreira de 15% dos votos válidos e teve o recurso indeferido.
Por que o Artigo 57 é decisivo
O dispositivo foi introduzido em 2019 para ampliar a pluralidade no Conselho, órgão responsável por aprovar orçamentos, deliberar sobre contratações de grande porte e chancelar projetos de infraestrutura. Ao limitar o domínio de uma única corrente, o estatuto busca evitar concentrações excessivas de poder e incentivar coalizões internas.
Raio-X da votação
Total de eleitores aptos: 23 912
Votos válidos: 18 475
Cláusula de barreira: 2 771 votos (15%)
Percentual da Chapa 2: 68%
Percentual da Chapa 6: 24%
Percentual da Chapa 1: 8%
Impacto na corrida presidencial de 2025
O novo arranjo ajusta o peso de cada grupo no colégio eleitoral que, em novembro, escolherá o presidente do clube para o triênio 2026-28. Com 45 conselheiros, a Chapa 6 — ligada ao pré-candidato Paulo Caleffi — ganha poder de articulação em eventuais alianças de segundo turno. Já a Chapa 2 mantém maioria, mas perde a margem que garantiria aprovação de pautas sem negociação.
Imagem: divulgação
Próximos passos
A Secretaria do Conselho publicará a ata retificada nos próximos dias, oficializando os novos conselheiros. Em paralelo, as chapas começarão a discutir blocos de votação para a eleição da Mesa Diretora do Conselho, marcada para 20 de outubro. Essa composição costuma antecipar tendências da eleição presidencial gremista.
No curto prazo, a redistribuição equilibra forças e torna mais previsível a formação de coalizões dentro do clube. No médio prazo, o efeito dominó pode influenciar não só a escolha do próximo presidente, mas também decisões estratégicas como orçamento para 2026 e eventuais reformas na Arena. O desfecho desses movimentos será determinante para o planejamento esportivo e financeiro do Grêmio na próxima temporada.
Com informações de Portal do Gremista