Rio de Janeiro (RJ) — A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), agora sob comando de Samir Xaud, definiu que a arbitragem será um dos três pilares com necessidade “urgente” de aprimoramento — ao lado do novo calendário nacional, já divulgado em 1º de outubro, e do pacote de fair play financeiro previsto para novembro. A informação foi revelada pelo portal UOL Esportes e confirma que a entidade quer iniciar 2024 com diretrizes claras para mitigar polêmicas recorrentes dos últimos anos.
Por que a arbitragem voltou ao centro do debate?
Em 2023, a Série A registrou 1.156 checagens de VAR e média de 3 minutos e 12 segundos por revisão, segundo dados do Departamento de Arbitragem da própria CBF. Reclamações públicas de clubes — Flamengo, Palmeiras e Fluminense entre eles — geraram solicitações formais de explicações em 17 rodadas diferentes. O aumento da pressão externa e a busca por maior transparência tornaram inevitável uma intervenção estrutural.
Raio-X da arbitragem brasileira
Quadro atual
• 78 árbitros e árbitras do quadro FIFA/CBF
• 62 estádios equipados com VAR
• 24 profissionais formados como AVAR em 2023
Indicadores de 2023
• 52% das decisões de campo foram mantidas após revisão de vídeo
• 31 pênaltis anulados pelo VAR
• 27 gols invalidados por impedimento milimétrico
Esses números consolidam a necessidade de revisão dos protocolos, seja na padronização de critérios ou na redução do tempo de análise, temas que devem nortear os novos investimentos da CBF.
Como o novo calendário impacta o trabalho dos juízes
Anunciado em 1º de outubro, o calendário 2024 diminui datas conflitantes com Datas-FIFA e prevê uma pré-temporada mínima de 25 dias. Com menos jogos engavetados, a expectativa é reduzir a carga de viagens dos árbitros, permitindo melhor preparação física e técnica. Além disso, finais de competições nacionais não mais sobreporão fases decisivas de Libertadores e Sul-Americana, o que facilita a escala de árbitros de elite em partidas de maior relevância.
Fair play financeiro: um aliado direto da modernização
Embora voltado à saúde contábil dos clubes, o fair play financeiro terá efeito colateral sobre a arbitragem. O projeto contempla percentuais de arrecadação televisiva destinados a:
Imagem: Internet
• centros de treinamento exclusivos de árbitros;
• aquisição de câmeras 4K adicionais para o VAR;
• programas de capacitação contínua, com intercâmbio junto a federações europeias.
Próximos passos e impacto para 2024
O Departamento de Arbitragem promete apresentar, ainda em dezembro, um novo protocolo de VAR com foco em lances de mão na bola e impedimentos semiautomáticos — tecnologia testada na Copa do Mundo de 2022. Já o calendário definitivo e as regras do fair play financeiro serão ratificados em assembleia marcada para 15 de novembro. Se aprovadas, as medidas alinharão o futebol brasileiro aos padrões adotados em ligas como Premier League e La Liga, elevando o nível de confiabilidade das competições.
Conclusão prospectiva
Com arbitragem, calendário e fair play financeiro amarrados em um único pacote, a gestão Samir Xaud sinaliza ruptura com práticas do passado e busca resposta imediata a críticas de clubes e torcedores. A forma como esses ajustes se materializarão durante o Campeonato Brasileiro de 2024 será decisiva para medir o sucesso das reformas e deve manter a pauta quente nos próximos meses.
Com informações de Netflu