São Paulo – Em entrevista exclusiva à CNN Esportes, o CEO da Liga Forte União (LFU), Gabriel Lima, declarou que a implementação do Fair Play Financeiro (FPF) é condição indispensável para o desenvolvimento comercial do futebol brasileiro, mas ressaltou a necessidade de um período de adaptação para que os clubes se ajustem às novas regras.
O que disse Gabriel Lima
Questionado sobre as prioridades da LFU, Gabriel Lima foi categórico: “Não existe desenvolvimento real de uma liga se não tiver um FPF bem estabelecido”. O executivo ponderou, contudo, que o Brasil não pode “sair do 0 para o 100 imediatamente”, sinalizando que a adoção do modelo deverá ser gradual para que as agremiações se adequem sem comprometer o desempenho esportivo e financeiro.
Por que o Fair Play Financeiro virou prioridade
A discussão sobre equilíbrio financeiro ganhou tração no país após a criação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAF) e o avanço das negociações para uma liga nacional unificada. Em 2023, o próprio presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, indicou a intenção de adotar controles inspirados nos regulamentos da UEFA, que limitam gastos salariais a 90% da receita na temporada 2024/25 e a 70% a partir de 2025/26.
Raio-X das finanças da Série A
- Dívida total: os 20 clubes da Série A acumularam cerca de R$ 10,3 bilhões em obrigações no balanço consolidado de 2023 (relatório Itaú BBA).
- Folha salarial: Flamengo (R$ 37 mi/mês) e Palmeiras (R$ 28 mi/mês) lideram a lista; seis clubes gastam acima de R$ 10 mi mensais.
- Receita recorrente: direitos de TV respondem por 45% a 60% das receitas na maioria das equipes, tornando‐as vulneráveis a oscilações de contrato.
- Superávit x déficit: apenas cinco clubes fecharam 2023 no azul; 12 registraram prejuízo operacional.
Desafios para colocar a regra em prática
1. Padronização de balanços – Hoje cada clube adota critérios contábeis distintos, o que dificulta a comparação.
2. Punições graduais – Na UEFA, sanções variam de multas à exclusão de competições; definir medidas equivalentes no Brasil será tema sensível.
3. Fiscalização independente – Liga e CBF estudam contratar auditoria externa para evitar conflito de interesses.
4. Impacto esportivo – Clubes com grandes déficits terão de reduzir folha ou aumentar receita rapidamente para não infringir o teto.
Próximos passos da LFU e dos clubes
A LFU pretende apresentar ao Conselho Técnico da Série A, ainda em 2024, uma proposta preliminar de Fair Play Financeiro com metas progressivas de três a cinco anos. A ideia é que, até 2027, todos os clubes trabalhem com gastos operacionais limitados a 80% da receita bruta. Paralelamente, Libra e CBF discutem texto único que possa ser referendado em assembleia geral.
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O que muda na prática
Se aprovado, o FPF poderá:
- Forçar clubes endividados a renegociar contratos e equilibrar fluxo de caixa;
- Reduzir a volatilidade dos elencos, pois contratações terão de ser lastreadas em receita futura realista;
- Aumentar a atratividade para investidores estrangeiros, que buscam negócios com regras claras;
- Elevar a competitividade da liga no médio prazo, ao evitar disparidades extremas de orçamento.
Perspectiva: A fala de Gabriel Lima confirma que o tema deve dominar a agenda política do futebol brasileiro na próxima temporada. Com a temporada 2025 batendo à porta, clubes precisam iniciar ajustes orçamentários já no próximo orçamento anual, sob risco de partirem em desvantagem na era do Fair Play Financeiro.
Com informações de Netflu