Fato principal: clubes da Premier League estão divididos sobre a adoção de um novo “teto salarial” — o modelo de ancoragem TBA — que será votado em 21 de novembro e pode substituir as atuais Regras de Lucro e Sustentabilidade (PSR).
No dia 21 de novembro, os 20 clubes da Premier League se reúnem para decidir se implementam o “top-to-bottom anchoring” (TBA), que limita salários, comissões e amortizações de transferências a cinco vezes a receita de TV e prêmio do lanterna. A liga também avalia um “squad cost ratio” (SCR), que autorizaria gastos de até 85% da receita total, alinhando-se parcialmente às normas da Uefa.
Por que o tema virou disputa interna?
A proposta TBA surgiu para conter a escalada de custos e preservar o equilíbrio competitivo. Entretanto, Manchester United, Manchester City e Aston Villa já se posicionaram contra, temendo perder poder de fogo frente a rivais europeus que seguem apenas o SCR da Uefa (70% da receita).
Na temporada 2023/24, o 20º colocado Sheffield United arrecadou cerca de 110 milhões de libras. Se o TBA estivesse em vigor, nenhum time poderia ultrapassar 550 milhões em gastos de elenco — cifra abaixo do potencial de clubes como City ou United, mas ainda acima da média do campeonato.
Modelo de ancoragem x SCR: o que está em jogo
TBA (Ancoragem)
— Limite fixo: 5× a receita do último colocado.
— Objetivo: nivelar a competição interna.
— Punição sugerida: possível dedução de pontos para quem ultrapassar o teto.
SCR (Ratio de custo de elenco)
— Limite variável: até 85% da receita total do clube (70% na Uefa).
— Objetivo: incentivar sustentabilidade sem travar clubes mais ricos.
— Já aplicado a nove equipes inglesas que jogam competições europeias.
Raio-X financeiro da Premier League
Receitas 2023/24*
Manchester City: £715 mi (salários: £413 mi)
Manchester United: ~£640 mi (estimativa)
Arsenal: ~£535 mi (estimativa)
Lanterna (Sheffield Utd): £110 mi
*fontes públicas e relatórios de clubes
Sanções recentes por PSR
— Everton: –10 pts (2023)
— Nottingham Forest: –4 pts (2024)
Imagem: Internet
Impacto previsto na tabela e no mercado
Se aprovado, o TBA reduzirá a margem de manobra de clubes que mais faturam, pressionando-os a otimizar elencos e renegociar contratos. Já equipes de menor orçamento poderão se aproximar competitivamente, mas correm o risco de travar a atração de investimentos externos se o teto for considerado baixo demais para disputar torneios continentais.
No cenário oposto — adoção apenas do SCR —, a Premier League se alinhará à Uefa, mantendo a flexibilidade dos gigantes, porém com salvaguardas de 85%, acima do limite europeu. Isso tende a preservar a força inglesa em Champions League, mas pode aprofundar a disparidade interna.
Próximos passos
Até o fim de outubro, os clubes enviarão feedback formal sobre as penalidades propostas. O syndication meeting de 21 de novembro exigirá maioria qualificada (14 votos) para alterar o regulamento. O sindicato dos jogadores (PFA) já contratou o advogado Nick de Marco e pode contestar judicialmente o TBA, ecoando decisão de 2021 que derrubou teto semelhante na EFL.
Ao fim, a Premier League encontra-se num ponto de inflexão: equilibrar atração global e competitividade doméstica sem comprometer a sustentabilidade financeira. A votação promete definir o balizamento dos gastos ingleses até o próximo ciclo de direitos de TV (2025-2028) e pode desencadear novas disputas jurídicas e até mudanças no peso esportivo das competições europeias.
Com informações de BBC Sport