Rio de Janeiro, 16/05 — Após a vitória por 1 x 0 sobre o Juventude no Maracanã, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro, o técnico Luis Zubeldía reconheceu a dificuldade de criação do Fluminense e detalhou, em entrevista coletiva, por que optou por escalar dois centroavantes na reta final do jogo.
O diagnóstico de Zubeldía: pouco espaço e pontas isolados
Segundo o treinador, o cenário diante do Juventude foi diferente dos enfrentados contra equipes mais ofensivas, como Atlético-MG e Botafogo, que costumam oferecer “campo mais aberto”. Diante de um adversário retraído, a construção se concentrou em setores recuados, obrigando os meias a voltarem para buscar a bola e deixando wings sem apoio.
Para contornar o bloqueio, Zubeldía citou duas estratégias:
- Explorar o corredor esquerdo, onde o time encontrou maior amplitude;
- Inserir dois atacantes de área (primeiro John Kennedy com Germán Cano; depois Kennedy com Everaldo) para povoar a grande área e atacar eventuais cruzamentos.
Raio-X do setor ofensivo tricolor
A busca pelo “quarto homem”
Zubeldía destacou o meia Lima como peça capaz de romper linhas — uma função antes exercida por canhotos clássicos de camisa 10. Sob comando do argentino, o ex-volante vem sendo testado como articulador, alternando entre apoio à primeira linha de passe e infiltrações tardias.
Referências numéricas relevantes
- Germán Cano: artilheiro da Conmebol Libertadores 2023 com 14 gols; segue como principal finalizador tricolor em 2024.
- John Kennedy: autor do gol do título continental em 2023, oferece maior mobilidade para atacar profundidade e abrir defesas fechadas.
- Dado tático: desde a chegada de Zubeldía, o Flu ensaiou o 4-4-2 losango em treinos, mas utilizou o esquema com dois homens de área pela primeira vez oficialmente diante do Juventude.
Por que a fala importa para os próximos jogos
O calendário reserva compromissos consecutivos longe do Rio e adversários de estilos contrastantes. A admissão pública de que o time precisa de “um quarto homem” sugere:
Imagem: LUCAS MERÇ
- Aumento de minutos para Lima na meia central, oferecendo equilíbrio entre passe vertical e recomposição;
- Possível adoção circunstancial do 4-2-2-2, especialmente contra rivais que utilizam linha de cinco defensores;
- Maior ênfase na amplitude pelo lado esquerdo, setor citado pelo técnico como espaço chave explorado no lance do gol da vitória.
O que vem a seguir? Se mantiver a estratégia de dois centroavantes, Zubeldía ganha poder de fogo, mas precisará calibrar o balanço defensivo — sobretudo porque Cano e Kennedy costumam pressionar menos a saída rival. A administração desse risco será determinante nas viagens pelo Brasileirão e na retomada da Conmebol Libertadores, onde adversários tendem a oferecer mais metros para transição.
Com a tabela ainda embolada nas primeiras rodadas, cada ponto conquistado enquanto o ataque busca seu novo desenho tático pode ser decisivo na projeção de G-4 — zona que assegura vaga direta à Libertadores 2025.
Em síntese, o triunfo diante do Juventude valeu três pontos importantes, mas escancarou o trabalho que ainda precisa ser feito para que o Fluminense recupere a fluidez ofensiva que o levou ao título continental no ano passado. As próximas semanas indicarão se o 4-4-2 com dupla de camisas 9 deixará de ser carta na manga para se transformar na nova identidade do time de Zubeldía.
Com informações de Netflu