Doha, 13/06/2026 – Carlo Ancelotti admitiu, logo após o empate por 1 a 1 entre Brasil e Marrocos na estreia da Copa do Mundo, que a Seleção sofreu com ansiedade e falta de controle de posse nos primeiros 45 minutos, período em que os africanos dominaram e abriram o placar com Ismael Saibari.
O que travou o Brasil no início do jogo
Segundo o treinador, o time “perdeu muitas bolas e muitos duelos”, cenário que permitiu a Marrocos sair da pressão brasileira e acelerar transições. Esse comportamento foi decisivo para o gol marroquino aos 20 minutos, quando Saibari finalizou livre na área.
Fator mental pesa em estreia de Copa
Ancelotti reconheceu que a estreia mundialista teve impacto psicológico sobre o elenco. A Seleção apresentou passes precipitados e pouca circulação de bola, algo que o próprio Vinícius Júnior reforçou ao dizer que era necessário “segurar mais a bola e mover de um lado a outro”.
Raio-X do 1º tempo
- Posse de bola: Brasil 46% x 54% Marrocos (dados oficiais da Fifa).
- Perdas de posse no terço médio: 14 para o Brasil, 7 para Marrocos.
- Duelos vencidos: Marrocos 60%, com destaque para Amrabat, que liderou o quesito com 7 recuperações.
- Finalizações: 5 x 3 para Marrocos, sendo 3 no alvo (1 gol).
Ajustes no intervalo: mais largura e cadência
No vestiário, o técnico orientou a equipe a manter a posse por mais tempo e deslocou Raphinha definitivamente para o corredor direito, oferecendo uma linha de passe extra a Bruno Guimarães e Danilo Santos. O Brasil passou a ter 56% de posse na etapa final e empatou com Vinícius Júnior, que apareceu no segundo pau após inversão rápida.
Por que Endrick ficou fora
Questionado sobre a ausência de Endrick, Ancelotti preferiu não individualizar, enfatizando que “no primeiro tempo a equipe não jogou bem, no segundo foi melhor”. Optou por Matheus Cunha e Luiz Henrique para revezar a referência ofensiva, além das entradas de Danilo, Fabinho e Danilo Santos para reforçar o meio por “razões físicas e disciplinares”.
Impacto na sequência da fase de grupos
Com um ponto, o Brasil divide a segunda colocação do Grupo F e volta a campo na próxima sexta-feira (19) diante do Haiti. O adversário tende a oferecer linhas mais baixas, cenário em que a capacidade de retenção de posse — justamente o ponto fraco apontado por Ancelotti — será ainda mais determinante. Dependendo do perfil rival, o treinador sinalizou que pode alterar o 11 inicial e rodar o elenco.
Imagem: IMAGO
Próximos compromissos
- 19/06 – Brasil x Haiti
- 24/06 – Brasil x Escócia
Se melhorar o índice de passes completos no campo ofensivo (foi de 78% na estreia, contra média de 86% nas Eliminatórias), a Seleção tem margem para dominar os dois próximos jogos e avançar com tranquilidade aos 16-avos. Caso contrário, a necessidade de resultado ficará para a última rodada frente à Escócia.
Em suma, a análise de Ancelotti expõe um problema de gestão emocional e de posse que precisa ser solucionado de imediato. A resposta virá já contra o Haiti, partida que servirá como termômetro para avaliar se os ajustes de circulação e ocupação de espaço surtiram efeito — e, sobretudo, se o Brasil voltará a exibir o controle de jogo que caracterizou sua preparação para o Mundial.
Com informações de Trivela