Rio de Janeiro, 18 de maio de 2026 – Carlo Ancelotti divulgou nesta segunda-feira a lista dos 26 jogadores que representarão o Brasil na Copa do Mundo de 2026. A principal decisão foi manter Neymar, mesmo com poucos jogos pelo Santos na temporada, e deixar de fora o atacante João Pedro, autor de 15 gols na Premier League pelo Chelsea. Segundo o treinador, a escolha obedeceu a critérios coletivos e físicos, não apenas à fase estatística de cada atleta.
Critérios além da meritocracia momentânea
Ancelotti reiterou que sua avaliação sobre Neymar sempre foi “exclusivamente física”. O atacante de 34 anos voltou a atuar em março, após seguidas cirurgias no joelho esquerdo, e terá quase um mês de preparação específica antes da estreia do Brasil no Mundial. Já João Pedro, de 25 anos, vive a melhor fase da carreira, mas perdeu a disputa por conta do fit tático e da experiência que o treinador considera indispensável em torneios de tiro curto.
O peso simbólico e técnico de Neymar
Apesar de não ser mais o centro do projeto, Neymar leva ao elenco 79 gols em 131 partidas pela Seleção – maior artilheiro da história da equipe. A comissão vê valor adicional na liderança de vestiário, na capacidade de atrair atenção defensiva adversária e na familiaridade com jogos de alta pressão (será a quarta Copa do craque).
Raio-X da convocação
- Idade média do grupo: 27,6 anos (mistura de experiência e vigor físico).
- Jogadores com Copas anteriores: 8 nomes, incluindo Alisson, Marquinhos, Casemiro e Vinícius Júnior.
- Artilharia 2025/26: Vini Jr. (19 gols em LaLiga) é o principal goleador entre os convocados que atuam na Europa.
- Neymar em 2026: 15 jogos, 4 gols e 5 assistências pelo Santos; média de 71 minutos em campo.
- João Pedro em 2025/26: 15 gols e 6 assistências em 31 partidas da Premier League.
Como a lista afeta o desenho tático
Desde que assumiu a Seleção, Ancelotti tem utilizado o 4-3-3 com falso ponta direito que fecha por dentro. Neymar, se ganhar condição, tende a ocupar justamente esse corredor ou atuar como false nine, liberando Vinícius Júnior para o duelo direto pelo flanco esquerdo. A ausência de João Pedro indica confiança no poder de recomposição de Rodrygo e na versatilidade de Gabriel Martinelli para a função de wide striker.
Impacto nos próximos passos rumo ao Hexa
A Seleção inicia a preparação em 27 de maio, em Orlando, com dois amistosos marcados (Estados Unidos e Coreia do Sul) antes da estreia oficial no Grupo D da Copa. Até lá, o departamento físico monitorará evolução de carga de Neymar e de outros atletas que encerraram cedo a temporada europeia. A ideia é chegar ao primeiro jogo com todos os atacantes aptos, permitindo rotações que evitem sobrecarga – lição aprendida após as lesões que minaram campanhas anteriores.
Imagem: Ruano Carneiro
Em síntese, a coletiva expôs um Ancelotti convicto de que experiência, equilíbrio de elenco e capacidade de decisão pontual valem tanto quanto a boa fase estatística. A aposta no camisa 10, portanto, não é nostalgia: é uma estratégia calculada para ampliar repertório ofensivo sem perder coesão defensiva. Se o plano físico se confirmar, o Brasil chega forte e menos dependente de um único nome – exatamente como deseja o treinador italiano.
Com informações de Trivela