O que Ancelotti vê que a seleção brasileira tem que aprender com a Espanha?

Rio de Janeiro, 29/07/2026 – Carlo Ancelotti quebrou o silêncio nesta quarta-feira, concedendo entrevistas exclusivas a três veículos brasileiros, para explicar a eliminação do Brasil nas oitavas de final da Copa de 2026 e detalhar seu plano até o Mundial de 2030. O técnico italiano foi direto: a Espanha campeã mundial comprovou que a chave do sucesso está em um meio-campo que dita o ritmo, algo que hoje falta à Seleção.

O que a Espanha ensinou: controle com posse e profundidade de elenco

Segundo Ancelotti, a equipe de Luis de la Fuente ergueu a taça ao reunir sete meio-campistas de elite. O trio titular – Rodri, Fabián Ruiz e Dani Olmo – garantia circulação de bola constante, enquanto o banco oferecia reposição imediata com Pedri, Mikel Merino, Martín Zubimendi e Gavi. “Eles controlaram jogos inteiros e sofreram apenas um gol em toda a campanha”, lembrou o treinador à ESPN.

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Raio-X: meio-campistas convocados na Copa de 2026

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Brasil – Casemiro, Fabinho, Bruno Guimarães, Lucas Paquetá, Danilo Santos, Ederson (improvisado).
Espanha – Rodri, Fabián Ruiz, Dani Olmo, Pedri, Merino, Zubimendi, Gavi.

O contraste é claro: enquanto os brasileiros se destacam na intensidade e no jogo vertical, os espanhóis exibem perfil de cadência, passe curto e controle de ritmo.

O problema brasileiro: verticalidade sem pausa

Na derrota para a Noruega, o Brasil registrou 34% de posse, menor índice do país desde 1966 em Copas. A Seleção apostou em transições rápidas para acionar Vinicius Júnior, Raphinha e Endrick, mas ficou refém de ataques diretos e sofreu para desacelerar o jogo quando foi necessário.

Plano de ação: formação de novos “camisas 8”

Ancelotti revelou que a CBF já mapeia talentos como Andrey Santos e monitora promessas do Brasileirão sub-20 para criar um elo mais forte com os clubes formadores. A ideia é identificar, entre as categorias sub-15 e sub-17, atletas capazes de:

  • oferecer saída limpa sob pressão;
  • ditar o tempo das ações ofensivas;
  • posicionar-se entre linhas para gerar superioridade numérica.

Calendário imediato: amistosos e renovação de elenco

A Seleção volta a campo no fim de setembro, em amistoso duplo contra Austrália e possivelmente Índia. Ancelotti confirmou o fim de ciclo para veteranos como Neymar, Casemiro e Fabinho. Dos experientes, só Marquinhos está garantido. O objetivo é chegar competitivo à Copa América de 2028, título que o Brasil não conquista desde 2019.

Impacto futuro: da posse de bola ao protagonismo continental

Se a Seleção conseguir revelar ao menos um meio-campista de controle nos próximos dois anos, o modelo de jogo poderá migrar gradualmente de transições verticais para uma posse mais sustentada, ampliando repertório contra defesas fechadas – cenário comum na América do Sul. Caso contrário, Ancelotti deve manter a velocidade como arma principal, correndo o risco de repetir problemas de gestão de ritmo que custaram caro em 2026.

O caminho até 2030 passa, portanto, pela resposta a uma pergunta simples e urgente: quem será o “novo Rodri” brasileiro capaz de mudar o curso das partidas?

Com informações de Trivela

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