Buenos Aires (20.jul.2026) — Derrotada por 1 x 0 pela Espanha na final da Copa do Mundo de 2026, a Argentina encerrou em Nova York um ciclo marcado pelo protagonismo de Lionel Messi, 39 anos, e de vários campeões de 2022. Com o craque próximo da aposentadoria e o técnico Lionel Scaloni em fim de contrato, a Associação do Futebol Argentino (AFA) prepara uma reformulação profunda para chegar competitiva ao Mundial de 2030.
Por que 2026 marca o fim de um ciclo?
• Idade do elenco: sete dos 11 titulares de 2022 ultrapassaram os 33 anos.
• Contrato de Scaloni: válido até dezembro; o próprio treinador admitiu precisar “refletir” sobre seguir no cargo.
• Calendário da FIFA: a próxima Copa será em 2030, intervalo que exige planejamento já a partir da próxima Data-FIFA de setembro de 2026.
A lacuna deixada por Lionel Messi
Maior artilheiro da seleção (124 gols) e participante de seis Copas, Messi chegará a 2030 com 43 anos. Sua provável despedida obriga a AFA a encontrar:
1. Volume criativo: em 2026, o camisa 10 foi responsável por 36% das chances criadas pela Argentina.
2. Liderança em campo: sem o capitão, o grupo perde o elo entre gerações de 2014, 2022 e 2026.
3. Bola parada: oito dos últimos 20 gols em Mundiais nasceram de cobranças do astro.
Nico Paz, 21 anos, meia do Real Madrid, é o nome mais citado internamente por reunir criatividade entrelinhas e chute de média distância, mas ainda soma poucos minutos em Eliminatórias.
Setor por setor: quem pode herdar as vagas?
Defesa
• Zaga: Leonardo Balerdi (27) e Marcos Senesi (29) já foram titulares em amistosos pré-Copa. Tomás Palacios, 24, revelado pelo Estudiantes, surge como alternativa canhota.
• Laterais: Nahuel Molina (32 em 2030) e Gonzalo Montiel (33) mantêm o lado direito. Na esquerda, a aposentadoria de Tagliafico abre espaço para Valentín Barco, hoje testado como meio-campista.
Meio-campo
• Renovação natural com Barco, Paz e Franco Mastantuono (19 em 2030).
• Saída gradual de Paredes e De Paul deve elevar Balerdi e Senesi na construção baixa se seguirem a linha iniciada por Scaloni.
Ataque
• Sem Messi, a aposta é numa trinca móvel. Julián Álvarez (26) tende a fixar-se como 9 de maior mobilidade, enquanto Alejandro Garnacho (25) oferece amplitude pela esquerda.
• Olho em Claudio Echeverri, destaque da sub-20 vice-campeã mundial: pode atuar como meia-atacante ou falso 9.
Imagem: Internet
Raio-X da renovação argentina
Idade média provável (titulares 2030): 26,8 anos
Jogadores campeões de 2022 remanescentes: até quatro (Molina, Montiel, Enzo Fernández, Julián Álvarez).
Minutos em Copas dos cotados: 3.420 (2022-26) contra 0 (estreantes projetados).
Títulos de base: vice da Copa do Mundo Sub-20 2025 e ouro olímpico 2024 sustentam a transição.
O que muda na estratégia até 2030?
1. Pressão alta permanente: sem Messi, a equipe tende a adotar bloco médio-alto constante, linha que Scaloni já ensaiou em amistosos de 2025.
2. Saída de bola pelos zagueiros: Balerdi e Senesi registram, juntos, 93% de acerto em passes progressivos na última temporada europeia.
3. Polivalência: Barco pode alternar lateral-interno e meia de construção, solução para deficiências no flanco esquerdo.
Próximos passos do planejamento
A AFA deve anunciar, até o fim de 2026, a continuidade ou não de Scaloni. Caso saia, o perfil buscado será de técnico que mantenha a plataforma 4-3-3 fluida e dê minutos a sub-23 já em 2027, ano de Copa América.
Conclusão prospectiva
A derrota para a Espanha encerra um capítulo glorioso iniciado com o título de 2022, mas oferece tempo de preparação inédito para a Argentina repensar sua identidade sem Messi. O sucesso do ciclo 2026-2030 dependerá de como a federação integrará talentos sub-23 e de quem comandará a transição tática. A próxima Data-FIFA, em setembro, já funcionará como laboratório; até lá, o país inteiro acompanhará os primeiros passos de uma Albiceleste que busca provar que pode ser candidata ao tetra mesmo sem seu maior ídolo.
Com informações de Trivela