Nova Jersey (19/07/2026) – A seleção da Argentina perdeu para a Espanha por 1 a 0 na final da Copa do Mundo de 2026, disputada no MetLife Stadium, e ficou com o vice-campeonato após 120 minutos sem acertar um único chute na meta de Unai Simón. O gol de Ferran Torres, marcado no segundo tempo da prorrogação, castigou a postura excessivamente conservadora desenhada por Lionel Scaloni.
Plano de jogo: bloco baixo sem válvula de escape
Scaloni armou a Albiceleste em um 5-3-2 que recuava todos os jogadores atrás da linha da bola. A ideia era reduzir os espaços entre linhas e forçar a Espanha a circular a posse por fora. A execução defensiva segurou o 0 x 0 até a prorrogação, mas teve um efeito colateral decisivo: a equipe não conseguia progredir em transições. Sem velocidade pelas pontas e com Lionel Messi isolado, a Argentina tornou-se a primeira finalista em 60 anos a terminar o tempo regulamentar sem uma finalização sequer.
Quando o volante vira problema: a expulsão de Enzo Fernández
Aos 90+2’, Enzo Fernández recebeu o segundo amarelo após entrada forte, deixando a seleção com dez. O meio-campo, já sobrecarregado, perdeu seu principal condutor de saídas curtas. Com um jogador a mais, a Espanha empurrou o rival ainda mais para dentro da própria área e finalizou 9 vezes só na prorrogação – sequência que culminou no gol de Ferran Torres.
Raio-X estatístico da final
- Finalizações: Espanha 26 × 1 Argentina (0 no alvo nos 90’).
- Posse de bola: Espanha 72% × 28% Argentina.
- Passes certos: Espanha 811; Argentina 281.
- Desarmes: Argentina 27 (maior marca da equipe no torneio).
- Cartões: 5 amarelos e 1 vermelho para a Argentina; 2 amarelos para a Espanha.
Campanha argentina: superação que não resistiu ao jogo posicional espanhol
Na fase eliminatória, a Argentina mostrou capacidade de reação: reviravoltas contra Egito (oitavas) e Inglaterra (semifinal) foram embaladas por espírito competitivo e bolas paradas. Contudo, todos os adversários permitiram espaços para transições rápidas – cenário que não se repetiu contra a Espanha, cuja troca de passes (média de 650 por jogo na Copa) neutraliza contra-ataques adversários.
Impacto futuro: qual o próximo passo para Scaloni e companhia?
A Federação precisará decidir se mantém o ciclo de Scaloni visando a Copa de 2030. O treinador, campeão em 2022, soma agora dois pódios seguidos, mas a ausência de variações ofensivas volta a ser tema. Com Messi aos 39 anos e com contrato no Inter Miami até 2027, a tendência é de aposentadoria internacional. Nomes como Julián Álvarez, Thiago Almada e Garnacho ganharão protagonismo já nas Eliminatórias, que começam em março de 2027.
Imagem: Matteo Gribaudi
Perspectiva: a Espanha reforça o domínio do jogo posicional no cenário mundial, enquanto a Argentina inicia um novo ciclo sem seu maior craque recente. A capacidade de atualizar o modelo ofensivo será determinante para que o vice em Nova Jersey não se transforme em declínio prolongado.
Com informações de Trivela