Barcelona e Internazionale chegaram a um impasse na negociação por Alessandro Bastoni; o zagueiro, prioridade catalã para 2026/27, não sinalizou internamente que deseja pressionar o clube nerazzurro por uma redução no preço. A frustração ganhou corpo após o término da Serie A 2025/26 — temporada em que o defensor foi peça chave no título da Inter — e faz o Barça repensar estratégias a poucos meses da abertura oficial da janela europeia.
Por que o negócio ficou mais difícil após o Scudetto
O contexto mudou com a conquista do Campeonato Italiano. Bastoni, 27 anos, ampliou o vínculo emocional com a torcida, elevou seu status técnico e ainda possui contrato até junho de 2028. Com ativos protegidos e o mercado de zagueiros inflacionado, a Inter estipulou valor em torno de 60 milhões de euros. Sem qualquer movimento do jogador para flexibilizar esse teto, o clube italiano não vê razões para negociar em baixa.
A visão do Barcelona: carência de zagueiro canhoto e orçamento limitado
Desde a saída de Clément Lenglet e a irregularidade física de Íñigo Martínez, Hansi Flick sinalizou internamente a necessidade de um defensor canhoto capaz de iniciar a construção desde trás. Bastoni encaixa no modelo de posse blaugrana: na última Serie A, liderou passes progressivos entre zagueiros (dados da Lega Serie A) e mantém média superior a 92 % de acerto na distribuição curta.
O problema é financeiro. O clube ainda opera sob limites de LaLiga em relação ao fair play e, segundo a imprensa espanhola, não pretende ultrapassar a casa dos 45 mi €. A hierarquia esperava que o próprio Bastoni fizesse “pressão de vestiário”, comum em grandes transferências, algo que não aconteceu.
Raio-X: números que sustentam o valor de Bastoni
- 37 jogos na Serie A 2025/26 (3.180 minutos)
- 0,18 gols sofridos por jogo com ele em campo — melhor índice do elenco da Inter
- 92,3 % de passes completos; 8,9 lançamentos longos certos por partida
- Índice de duelos aéreos vencidos: 69 %
- Títulos pela Inter: 3 Scudetti, 2 Copas da Itália, 1 Supercopa
Efeito dominó: o que muda nos planos de mercado do Barça
Com o impasse, o diretor esportivo Deco monitora alternativas de perfil semelhante. Cristian Romero (Tottenham) e Gonçalo Inácio (Sporting) são mapeados, mas ambos também exigem investimento alto. Há ainda a possibilidade de envolver jogadores como makeweight; nomes como Eric García e Ansu Fati foram citados pela mídia catalã em possíveis trocas para reduzir o impacto em caixa.
Imagem: Tommaso Fimiano
Impacto para a temporada 2026/27
Flick pretende iniciar a pré-temporada com o elenco fechado, pois a equipe disputará a Champions já na fase preliminar de agosto (por ter ficado em 3.º na LaLiga 2025/26). Sem reforço de peso para a zaga canhota, o treinador pode ter de adaptar Ronald Araújo ou recuar Andreas Christensen pelo lado esquerdo — algo que diminui a fluência da saída de bola e expõe o setor que concedeu 43 gols no campeonato passado.
Próximos capítulos: se Bastoni mantiver a posição de não interferir, a tendência é que permaneça em Milão e o Barcelona redirecione esforços a outras opções antes da abertura da janela em 1.º de julho. A definição, porém, deve ocorrer antes mesmo de o mercado abrir, pois Flick deseja respostas até o fim de junho para ajustar seu planejamento tático.
Com informações de Trivela