Seattle (07/07/2026) – A Bélgica derrotou os Estados Unidos por 4 a 1, no Lumen Field, e carimbou vaga nas quartas de final da Copa do Mundo 2026. A classificação ganhou peso extra porque o técnico Rudi Garcia deixou Kevin De Bruyne, Jérémy Doku e Romelu Lukaku no banco, optando por um time mais leve e agressivo que neutralizou os anfitriões desde o primeiro minuto.
Pressão alta desmonta o plano norte-americano
A Bélgica iniciou a partida empurrando a linha defensiva para o campo ofensivo e recuperando a bola ainda no terço final. O gol de Charles De Ketelaere, logo após cruzamento de Leandro Trossard e rebote de Nicolas Raskin, coroou esse domínio territorial. Mesmo com o empate dos EUA em cobrança de falta de Malik Tillman desviada na barreira, o padrão belga não mudou: marcação pós-perda imediata, circulação rápida e superioridade numérica nas zonas laterais.
Escolhas de Rudi Garcia: menos nomes, mais sistema
Sem seus três principais jogadores de linha, a Bélgica apresentou:
- Falso 9 móvel: De Ketelaere alternou recuos para criar e movimentos de profundidade, arrastando zagueiros e abrindo espaços para infiltrações de Trossard e Dodi Lukebakio.
- Dupla de meio-campo adiantada: Hans Vanaken e Orel Mangala pressionaram a saída adversária, impedindo que Weston McKennie e Yunus Musah organizassem o jogo dos EUA.
- Largura constante: Lukebakio e Trossard mantiveram os laterais norte-americanos presos, o que limitou as projeções de Antonee Robinson e Sergiño Dest.
O resultado prático veio em sequência: falha do goleiro Matt Freese propiciou o 2 a 1 de Vanaken, De Ketelaere marcou novamente para fazer 3 a 1 e, já nos acréscimos, Lukaku – acionado a partir dos 21 minutos do segundo tempo – fechou a conta em 4 a 1.
Raio-X do jogo
- Gols: De Ketelaere (2), Vanaken e Lukaku; Tillman para os EUA.
- Participações diretas: De Ketelaere – 2 gols; Vanaken – 1 gol e 1 participação decisiva no desvio da falta que originou o gol norte-americano.
- Sequência belga: terceira vitória em quatro partidas; melhor desempenho ofensivo da equipe nesta Copa (média anterior: 1,3 gol/jogo).
- Estados Unidos: primeira derrota no torneio; time de Mauricio Pochettino não sofria quatro gols desde a Copa Ouro 2023.
O que muda para o duelo com a Espanha
A Bélgica reencontrará a Espanha – que eliminou Portugal por 1 a 0 em Dallas – nas quartas. O estilo espanhol de posse prolongada tende a atrair a pressão belga, oferecendo o cenário de transição que funcionou em Seattle. A grande decisão de Rudi Garcia será equilibrar a energia do time que venceu os EUA com o poder de invenção de De Bruyne e a força física de Lukaku, fatores que costumam pesar em confrontos de mata-mata contra seleções de topo.
Imagem: Dirk Wa
Conclusão prospectiva
A goleada sobre os anfitriões consolida a Bélgica como uma das campanhas mais fiéis ao conceito de jogo coletivo desta Copa. Se Garcia repetir a fórmula, poderá explorar as brechas deixadas pela saída curta da Espanha; se optar pelos medalhões, ganha talento mas corre o risco de perder intensidade. A partida de quartas de final, portanto, não será apenas um choque de estilos entre duas escolas europeias: será também o teste definitivo para a convicção tática que emergiu em Seattle.
Com informações de Trivela