Manchester (ING), 15/05/2026 – Em reta final de contrato com o Manchester City, o meio-campista Bernardo Silva, 31 anos, concedeu entrevista ao jornal britânico Daily Mail e disparou contra a forma como as bolas paradas vêm sendo trabalhadas na Premier League. O português comparou os bloqueios realizados dentro da área a lances de rúgbi, citando o Arsenal de Mikel Arteta como principal exemplo dessa tendência.
Por que a crítica de Bernardo Silva virou manchete
• Quem falou: Bernardo Silva, campeão inglês pelo City e com contrato até junho.
• O que disse: que escanteios e laterais consomem tempo excessivo e contam com bloqueios parecidos aos do rúgbi.
• Alvo principal: a mecânica de bloqueios do Arsenal, equipe que lidera o ranking de gols de bola parada em 2025/26.
• Reclamação complementar: se os árbitros tolerarem essa abordagem, outros times farão o mesmo, “porque é ridículo”.
Bola parada: da subutilização ao novo ouro tático na Inglaterra
Historicamente, o futebol inglês sempre deu importância a escanteios e faltas laterais. Porém, a volta da especialização ganhou força a partir de 2020, quando clubes passaram a contratar set-piece coaches. No Arsenal, o francês Nicolas Jover — ex-City — sistematizou padrões de bloqueio que abrem linhas de cabeceio para zagueiros como Saliba e Gabriel.
Pep Guardiola lembra que, nos anos 1990, já se comemoravam escanteios como gols; a diferença é que agora há modelagem de dados, vídeos 4K e simulações que elevam a eficiência. O Brighton foi além e inseriu um lutador de MMA em sessões de treino para melhorar equilíbrio e contato físico aéreo.
Raio-X 2025/26: quem mais fatura com a bola parada
Gols originados em bolas paradas (até a 35ª rodada):
- Arsenal – 21
- Manchester United – 18
- Tottenham – 17
- Leeds United – 16
- Liverpool – 16
- Newcastle – 15
- Aston Villa – 14
- Bournemouth – 14
- Chelsea – 13
- Everton – 12
O percentual de gols vindos de escanteios, faltas laterais e laterais longos já passa de 25% do total da Premier League 2025/26, marca mais alta desde 2009/10.
Impacto imediato para City, Arsenal e demais concorrentes
1. Manchester City – A crítica pública de Bernardo pressiona a arbitragem e sinaliza que o elenco de Guardiola poderá adotar bloqueios semelhantes, igualando forças caso a regra de interpretação não mude.
Imagem: Alfie Cosgrove
2. Arsenal – Arteta colhe resultados; mesmo sob questionamentos, o método segue legal pela atual diretriz do IFAB, que permite contato desde que não impeça claramente o adversário de disputar a bola.
3. Demais clubes – A tendência já levou técnicos como Arne Slot (Liverpool) a lamentar o “jogo parado”. Ainda assim, a resposta prática tem sido investir em especialistas ou aprimorar defesa em marcação mista para neutralizar os bloqueios.
O que vem pela frente?
A Federação Inglesa discute para 2026/27 possíveis ajustes de protocolo do VAR em escanteios, o que pode redefinir limites de contato. Enquanto isso, equipes que dominam a técnica manterão vantagem estatística. Para Bernardo Silva, a questão é de tempo efetivo de bola rolando — fator que a Premier League já monitora para futuras revisões de regra.
Conclusão prospectiva: Se a liga não ajustar imediatamente a interpretação sobre bloqueios, veremos crescimento ainda maior da influência das bolas paradas no placar. Clubes que não acompanharem a evolução — seja elevando sua própria criatividade ofensiva, seja reforçando a defesa aérea — correm risco de perder pontos cruciais na reta final da temporada.
Com informações de Trivela