Ideia de Leonardo Jardim, técnico do Cruzeiro, influencia testes no VAR; entenda

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Rio de Janeiro, 18.set.2025Leonardo Jardim, técnico do Cruzeiro, viu uma de suas sugestões públicas ganhar forma: a CBF confirmou que testará, já na próxima semana, o sistema Football Video Support (FVS), que concede aos treinadores o direito de solicitar revisões no VAR em partidas oficiais. Os primeiros ensaios ocorrerão nas quartas de final da Copa do Brasil Feminina e nas fases decisivas da Copa Paulista, atendendo à exigência da FIFA de pelo menos dez jogos-piloto.

De onde veio a ideia e como funcionará o FVS

Após o empate entre Cruzeiro e Mirassol pela Série B, em 14 de setembro, Leonardo Jardim questionou publicamente a falta de padronização nas chamadas do VAR e propôs que cada técnico pudesse requisitar até duas revisões – uma por tempo. A CBF adaptou o conceito ao FVS: cada equipe terá dois pedidos de revisão por partida; caso o árbitro de campo altere sua decisão, o time mantém a cota. Se a marcação for mantida, perde-se o pedido – mecanismo semelhante ao “challenge” da NFL ou ao sistema de desafios do tênis.

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Por que a novidade chega agora

O VAR brasileiro completou cinco temporadas em 2025, mas ainda enfrenta críticas recorrentes sobre inconsistência e transparência. De acordo com relatório oficial da CBF, o Brasileirão 2024 registrou 1,2 intervenção do VAR por jogo, mas apenas 62 % dos lances revisados tiveram áudio posteriormente divulgado. O FVS surge como tentativa de:

  • Aumentar a confiança do público no protocolo de arbitragem;
  • Transferir parte da responsabilidade pela revisão para as comissões técnicas;
  • Reduzir pressão externa sobre o árbitro principal, que passa a contar com uma ferramenta de contestação institucionalizada.

Raio-X do VAR no Brasil

Intervenções em 2024 (Série A): 471 em 380 jogos

Lances corrigidos: 297 (63 %)

Tempo médio de paralisação: 2min 52s

Pênaltis revisados: 108

Gols anulados por impedimento: 73

Fontes: Relatório de Arbitragem CBF, Board IFAB 2025.

Impacto tático e estratégico

Com o FVS, a gestão de desafios torna-se um componente adicional do plano de jogo. Treinadores precisarão:

  • Definir protocolo interno de análise instantânea de imagens no banco;
  • Ponderar o custo de “queimar” um pedido cedo versus mantê-lo para momentos decisivos;
  • Sincronizar decisões com capitães, que continuam sendo a linha direta com a arbitragem.

No Cruzeiro, Jardim trabalha com uma comissão de análise de desempenho que utiliza tablets para cortes de vídeo em tempo real. Esse aparato passará a ter influência direta no resultado, aproximando o futebol de práticas vistas na NBA e NFL.

Próximos passos e possíveis cenários

Se aprovado nos dez jogos exigidos, o FVS poderá ser incluído na Copa do Brasil 2026 e no Brasileirão 2026. A adoção definitiva exigirá:

  • Avaliação de impacto no tempo de bola rolando;
  • Treinamento adicional para árbitros de vídeo e operadores;
  • Ajuste no protocolo do IFAB, cuja próxima reunião anual acontece em março de 2026.

Conclusão prospectiva: A iniciativa que nasceu de um comentário de Leonardo Jardim tem potencial para redefinir a relação entre bancos de reservas e arbitragem no futebol brasileiro. Se os testes confirmarem ganho de transparência sem inflar a duração das partidas, a temporada 2026 pode marcar a estreia de um modelo de “desafio” com assinatura nacional – e o Cruzeiro, indiretamente, já colhe dividendos de estar na linha de frente da inovação.

Com informações de Diário Celeste

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